O Jogo de Cena na Política Amazonense: Maria do Carmo ataca Cidade, mas o PL vai entregar os cargos no Governo?

Foto: https://comun.com.br/2024/09/27/roberto-cidade-e-maria-do-carmo-trocam-farpas-sobre-fake-news/

A pré-candidata ao Governo do Amazonas, Professora Maria do Carmo (PL), decidiu subir o tom nas redes sociais para avaliar a posse de Roberto Cidade (União). Com frases de efeito e o roteiro afiado, comparou o evento a uma “reprise de filme velho” e disparou: “De novo não tem nada”.

Contudo, para quem respira os bastidores do poder, a indignação da professora levanta uma questão incômoda: até onde vai a coerência do discurso e onde começa o jogo de cena?

O Alvo: Roberto Cidade e a Pecha de “Herdeiro”

A estratégia de Maria é clara: colar em Cidade o rótulo de “herdeiro da rejeição”. O argumento central é que o atual presidente da ALEAM, por ter atravessado a era Wilson Lima no comando do Legislativo, não teria legitimidade para se vender como renovação. Para Maria, quem “passou pano” por oito anos não pode agora vestir o figurino de mudança.

O Telhado de Vidro: O PL de “Dois Lados”

Tratar Maria do Carmo como uma peça capacitada no xadrez político é obrigação do jornalismo sério. Mas, sob essa mesma ótica, é impossível ignorar as contradições do seu próprio ninho.

Como sustentar o discurso de “velha política” contra Cidade se o PL de Alfredo Nascimento, até ontem, era só elogios a Wilson Lima? O partido não apenas flertou com a gestão estadual, como possui secretarias e cargos na estrutura que Maria agora chama de “retrocesso”. É o clássico “teatro das tesouras”: critica-se no Instagram, mas mantém-se o contracheque no Diário Oficial.

Farpas Antigas: Uma Rivalidade que Vem de Outros Carnavais

Essa agressividade de Maria do Carmo contra Roberto Cidade não é novidade para quem tem memória política. O clima entre os dois já é de guerra declarada desde campanhas anteriores, quando o tom subiu e as denúncias foram parar na porta da Polícia Federal.

O Histórico do Embate: No passado recente, Cidade chegou a acionar a PF contra o que chamou de “ataques criminosos” e disparos de fake news vindos até da Índia. Na época, ele sugeriu que o grupo de Maria e Alberto Neto utilizava robôs para caluniá-lo.

A “Lata” de Maria: A resposta de Maria sempre foi no confronto direto. Naqueles episódios, ela fez questão de dizer que “fala na lata” e que também queria a investigação da PF para saber quem estava por trás dos ataques, negando qualquer anonimato.

A Análise do Chumbo Grosso

O que vemos hoje é a continuação de uma novela que o eleitor já conhece. A troca de farpas é antiga, mas a conveniência é nova.

Política se faz com coerência. Roberto Cidade tenta provar que tem luz própria, enquanto Maria do Carmo tenta vender uma indignação “nova” contra um sistema do qual seu próprio partido, o PL, nunca fez questão de se distanciar de verdade. Se a Professora quer falar de “novo”, vai precisar primeiro explicar por que as velhas alianças do seu ninho continuam tão confortáveis nas cadeiras do atual governo.

 

Direto da Redação

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