Enquanto o vereador Capitão Carpê (PL) utiliza a tribuna da Câmara Municipal de Manaus para inflamar os ânimos sobre o atraso no auxílio-fardamento dos policiais — um problema que ele mesmo admite durar cerca de cinco anos —, os dados oficiais de seu próprio gabinete revelam onde está o verdadeiro foco e a maior preocupação da sua gestão prática: a manutenção de uma robusta estrutura logística de transporte.
Uma análise detalhada das notas fiscais da competência de janeiro a maio de 2026 mostra que a principal fatia do orçamento do parlamentar não está ligada a emendas de impacto social direto ou fiscalização de bases, mas sim ao custeio de combustível e locação de veículos. Em apenas três meses de gastos detalhados (janeiro, fevereiro e março), o vereador consumiu a impressionante marca de R$ 53.461,80 exclusivamente para se deslocar.
A Logística que Custa Caro ao Contribuinte
Para além das críticas à gestão estadual, os números mostram uma incoerência entre a pregação da escassez de recursos públicos e a fartura na utilização da Cota Mensal. Dos R$ 93.461,80 totais ressarcidos no período, a soma de transporte representa mais de 57% de todos os gastos do vereador:
- Locação de Veículos Terrestres e Fluviais: O gabinete mantém contratos simultâneos com duas locadoras diferentes (JSFX Ltda e S. D. Sampaio Comércio de Veículos). Juntas, elas custaram R$ 34.815,00 em apenas três meses.
- Combustível: Para movimentar essa frota em Manaus, o consumo de combustível (TW Petróleo) chegou a R$ 28.646,80. Trata-se de uma média de quase R$ 10 mil reais por mês queimados em tanques de gasolina ou diesel.
O Palanque e os Números
Enquanto o “Steve” (jargão para o policial militar) aguarda fardamento novo na ponta da linha e o vereador acusa o atual governo de descaso em pouco mais de 50 dias de gestão, o gabinete do parlamentar opera com precisão cirúrgica para garantir o pagamento em dia de seus fornecedores de veículos e assessoria jurídica (que levou outros R$ 30.000,00).
A matemática dos portais de transparência não deixa margem para narrativas ideológicas. O eleitor amazonense, ao analisar o cenário de fora do palanque, percebe que a indignação com a farda alheia divide espaço com o conforto de uma estrutura de transporte que custa dezenas de milhares de reais por mês aos cofres públicos. Se a farda da polícia está gasta por falta de verba, o mesmo não se pode dizer dos pneus e dos tanques cheios que sustentam o mandato do Capitão.
Os dados estão dísponiveis no Portal da Transparência;
https://www.cmm.am.gov.br/transparencia/#cotas-ceap
Capitão Carpê usa fardamento da PM para blindar Wilson Lima e atacar oponente de Maria do Carmo.





