O embargo de uma obra de grande porte na rua Ametista, na zona Centro-Sul de Manaus, traz à tona uma discussão que vai muito além das falhas de engenharia e das rachaduras no asfalto. O episódio coloca sob os refletores a capacidade de planejamento e execução da empresária e educadora Maria do Carmo Seffair, mantenedora da Faculdade Santa Teresa e pré-candidata ao governo do Amazonas. O caso abre uma brecha inevitável para o questionamento: como alguém que aspira governar um dos estados mais complexos do país não consegue assegurar o cumprimento de regras básicas de segurança em uma obra de sua própria instituição?
A fiscalização integrada da Prefeitura de Manaus expôs um cenário alarmante: ausência de muro de arrimo adequado, avanço de erosão que ameaça a via pública e um talude em ângulo crítico de 90 graus. Para agravar o quadro técnico, a Secretaria de Infraestrutura (Seminf) confirmou que o projeto de drenagem do empreendimento sequer possui aprovação definitiva, arrastando-se com pendências documentais e correções pendentes desde 2024.
Para o eleitorado, o episódio serve como um laboratório de análise sobre o discurso da “eficiência privada” aplicada à gestão pública. O argumento central de candidaturas oriundas do setor empresarial costuma ser a promessa de rigor técnico, cumprimento de prazos e excelência administrativa. No entanto, quando um empreendimento sob a responsabilidade de um dos maiores conglomerados educacionais da região Norte ignora as diretrizes do Código de Obras do município e opera à revelia das licenças de drenagem, a narrativa de eficiência começa a ruir antes mesmo do início da campanha oficial.
Governar o Amazonas exige a coordenação de megaprojetos de infraestrutura, logística e preservação, além do manejo rigoroso de legislações ambientais e urbanísticas. Se na esfera privada, onde o controle de processos teoricamente é mais ágil e centralizado, a execução falha a ponto de exigir a intervenção emergencial do poder público para proteger vidas e o comércio local, gera-se uma contradição difícil de justificar nos palanques.
O embargo na zona Centro-Sul deixa uma lição clara para o debate político que se avizinha: a competência para gerir a máquina pública e cuidar da população se demonstra, em primeiro lugar, no respeito às leis e à segurança coletiva dentro de casa. Antes de prometer ordenar o Estado, é preciso demonstrar que se consegue ordenar a própria calçada.





