Com quase 28 mil empresas industriais e cerca de 253,8 mil empregos formais, a indústria paraense registrou crescimento de 18,3% entre 2022 e 2025. O setor também se destaca pela forte presença de micro e pequenas empresas, que representam 97,5% das indústrias do estado e reforçam a capilaridade da atividade industrial em diferentes regiões da economia paraense.
Esse cenário é apontado em levantamento feito pelo Observatório da Indústria do Pará, iniciativa da Federação das Indústrias do Estado do Pará, que revela ainda a força da mineração como principal atividade econômica da indústria estadual, responsável por 47% do PIB industrial do Pará. O estudo também destaca a relevância dos segmentos de serviços industriais de utilidade pública, construção civil, alimentos e metalurgia para o desempenho do setor no estado.
No comércio exterior, os números também são relevantes. Em 2025, o Pará exportou US$ 24,3 bilhões e importou US$ 2,7 bilhões, alcançando saldo positivo histórico de US$ 21,6 bilhões. Entre os principais produtos exportados estão minério de ferro, minério de cobre, alumina calcinada, soja, carnes bovinas, ouro e alumínio. A indústria responde por 18,8% das exportações estaduais.
É neste cenário de expansão, potencial econômico e necessidade de planejamento estratégico que a FIEPA lançou oficialmente, nesta quinta-feira (21), durante o primeiro dia do Congresso Técnico da Indústria, na programação da XVII Feira da Indústria do Pará (FIPA), o Mapa Estratégico da Indústria do Pará 2026-2032. O documento foi construído em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e estabelece uma agenda de longo prazo para o fortalecimento da competitividade industrial no estado.
O lançamento marca um dos momentos mais relevantes da XVII FIPA, realizada no Hangar – Centro de Convenções da Amazônia, em Belém, reunindo lideranças empresariais, representantes do poder público, especialistas e instituições estratégicas para discutir os rumos do desenvolvimento industrial paraense.
Segundo o gerente do Observatório da Indústria, Felipe Freitas, que trabalhou na construção do Mapa e participou do lançamento, o documento reúne um amplo diagnóstico do ambiente econômico e industrial do Pará e apresenta propostas concretas para áreas consideradas centrais para o crescimento sustentável da indústria. “Ao todo, o Mapa Estratégico está estruturado em oito fatores-chaves, 32 temas prioritários, 96 objetivos e 342 iniciativas nacionais integradas à agenda regionalizada do Pará”, explica Freitas.
No recorte estadual, o Pará consolidou 620 iniciativas estratégicas voltadas especificamente às necessidades e potencialidades locais. Entre os eixos considerados prioritários estão ambiente de negócios, ambiente econômico, baixo carbono e recursos naturais, comércio internacional, desenvolvimento humano e trabalho, inovação, educação e infraestrutura.
Segundo o gerente do Observatório, o documento nasce de um processo técnico e colaborativo, que envolveu oficinas temáticas, entrevistas com lideranças empresariais, articulação institucional e levantamento de iniciativas já desenvolvidas pela Federação alinhadas às metas estratégicas da indústria brasileira.
“O Pará desbrava novos caminhos para o desenvolvimento econômico com a regionalização do Mapa Estratégico da Indústria, fortalecendo um modelo de atuação estratégica em parceria com a CNI”, destaca o gerente.
Infraestrutura lidera número de iniciativas
Entre os oito fatores-chaves do Mapa, a infraestrutura aparece como o eixo com maior número de ações previstas: são 137 iniciativas estratégicas. Na sequência, aparecem desenvolvimento produtivo, tecnologia e inovação, com 98 iniciativas; ambiente econômico, com 82; ambiente de negócios, com 71; educação e desenvolvimento humano, ambos com 65 iniciativas; baixo carbono e recursos naturais, com 58; e comércio e integração internacional, com 44 iniciativas.
O documento reforça a necessidade de integração entre logística, energia, conectividade e segurança jurídica para elevar a competitividade do estado e reduzir gargalos históricos da região Norte.
No eixo de ambiente de negócios, o Mapa propõe medidas voltadas à melhoria da qualidade regulatória, simplificação administrativa e fortalecimento da segurança jurídica. Entre as iniciativas previstas estão a integração entre órgãos ambientais municipais, estaduais e federais, criação de fóruns permanentes entre setor produtivo e governo, ampliação do governo digital e implantação de mecanismos de “sandbox jurídico” para empresas de base tecnológica.
O documento também prevê ações para reduzir burocracias que impactam o setor produtivo, como a implementação do Balcão Único Digital para integrar licenciamentos, alvarás e outorgas.
Na área de segurança jurídica, o Mapa propõe a criação de observatórios de contratos e normas que impactam a indústria, além de mecanismos de mediação e arbitragem para acelerar a resolução de conflitos.
“O Mapa Estratégico da Indústria do Pará representa muito mais do que um documento de planejamento. Ele traduz uma visão de futuro construída de forma coletiva, técnica e alinhada aos desafios e às potencialidades do estado”, afirma Jefferson Gomes, diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI. Ele afirma que o Pará possui um papel estratégico para o desenvolvimento industrial brasileiro, especialmente quando falamos de mineração, bioeconomia, transição energética, infraestrutura e sustentabilidade. “E o grande mérito deste trabalho é justamente transformar essas vocações em uma agenda estruturada, com objetivos claros, metas e iniciativas concretas para aumentar a competitividade industrial até 2032”, pontuou o diretor.
“Na CNI, entendemos que o fortalecimento da indústria brasileira passa necessariamente pela capacidade de cada estado construir suas próprias estratégias de desenvolvimento, respeitando suas particularidades regionais e conectando-as à uma visão nacional de crescimento”, completou Jefferson.
Bioeconomia, descarbonização e liderança sustentável
Um dos pilares centrais do Mapa Estratégico é a consolidação do Pará como referência nacional em economia de baixo carbono e uso sustentável dos recursos naturais. O documento prevê ações para fortalecer a sociobioeconomia amazônica, ampliar o uso sustentável da biodiversidade e fomentar cadeias produtivas ligadas ao manejo florestal sustentável.
Entre as propostas estão a criação de políticas claras para exploração sustentável da biodiversidade amazônica, fortalecimento da rastreabilidade das cadeias produtivas, incentivo ao mercado de carbono e ampliação das concessões florestais sustentáveis.
Para a secretária adjunta de Bioeconomia do Pará, Camile Bemerguy, o lançamento do Mapa Estratégico da Indústria do Pará representa um passo importante para o fortalecimento de uma agenda integrada de desenvolvimento sustentável no estado.
“O Pará já possui uma diretriz estratégica consolidada para a bioeconomia, que é o PlanBio, construído justamente para orientar políticas públicas, investimentos e iniciativas voltadas ao aproveitamento sustentável da nossa biodiversidade. E o grande diferencial do Mapa Estratégico da Indústria é que ele dialoga diretamente com essa visão de futuro”, declarou a secretária.
O Mapa também prevê programas específicos de descarbonização industrial, incentivo à eficiência energética, uso de energias renováveis e ampliação dos inventários de emissões de gases de efeito estufa nas indústrias paraenses. Outro ponto estratégico é a defesa da verticalização produtiva e da agregação de valor às cadeias locais.
O documento propõe ainda programas voltados à industrialização regional, fortalecimento do Arco Norte como corredor de indústria verde, atração de empresas inovadoras e desenvolvimento de polos industriais sustentáveis alinhados à economia de baixo carbono.
Visão de futuro – A publicação destaca que, até 2032, a indústria brasileira deverá avançar em digitalização, automação, inteligência artificial, bioeconomia e energias renováveis, reduzindo desigualdades regionais e fortalecendo a competitividade internacional do país. O documento também ressalta que a construção desse novo cenário depende de uma ação coordenada entre setor público e iniciativa privada, com foco na redução do chamado “Custo Brasil”, modernização tributária, melhoria da infraestrutura e ampliação da segurança jurídica.
Fotos: Divulgação Sistema FIEPA





