Grupo Terrorista PCC e CV: A Força da oposição que a mídia, em especial o grupo de blogueiros da “Globo News” tentou minimizar

Por Ronaldo Aleixo: A dinâmica da política brasileira sempre foi marcada por paixões domésticas intensas, mas poucas vezes na história recente o destino do debate nacional dependeu tanto das engrenagens que se movem na capital dos Estados Unidos. A velocidade com que os fatos se sucedem no eixo Brasília-Washington nos obriga a ir além das manchetes superficiais para compreender o pragmatismo que dita as regras do jogo. Mais do que isso, expõe o descolamento da realidade de uma bolha jornalística que trocou a reportagem pela torcida.

Há quem tenha apostado, apressadamente, no isolamento político e no esvaziamento das lideranças de direita no Brasil. Durante meses, o grupo de comentaristas e blogueiros da GloboNews, acompanhado por setores da imprensa com claro viés esquerdista, martelou a narrativa de que a oposição estava “morta”, reduzida à insignificância e sem qualquer capacidade de reação após as decisões de inelegibilidade. O que assistimos nos últimos dias, contudo, foi um verdadeiro choque de realidade que desmoralizou essa cobertura tendenciosa.

Essa blindagem narrativa ao governo e o esforço para diminuir a oposição encontram seu rosto mais visível em figuras como Natuza Nery (foto em destaque). Alvo frequente e legítimo de duras críticas nas redes sociais, a jornalista tornou-se o símbolo máximo de um ecossistema de comentaristas que parecem operar mais como construtores de narrativas de conveniência do que como analistas isentos. O público, cada vez mais atento, não engole mais o tom professoral que tenta transformar reveses evidentes do governo federal em “estratégias geniais”, enquanto rotula qualquer avanço da oposição como mero factoide. O erro de cálculo desse jornalismo de crachá ideológico, personificado nessa postura de estúdio, foi subestimar a densidade das conexões internacionais da direita.

A recente e contundente decisão do Departamento de Estado norte-americano de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras é o exemplo definitivo disso. O decreto da Casa Branca, assinado escassos dias após uma comitiva liderada pelo senador Flávio Bolsonaro ser recebida com pompa no coração do poder americano, não foi um raio em céu azul. Foi o resultado de um lobby político cirúrgico que transferiu o protagonismo da pauta mais sensível ao cidadão comum — a segurança pública — das mãos do Palácio do Planalto para o colo da oposição.

Enquanto a diplomacia oficial brasileira patinhava na formalidade e os analistas de TV minimizavam a viagem da oposição como “mero turismo político”, a direita operava nos canais informais da afinidade estratégica. Diante do fato consumado, a mesma mídia que tentou ignorar o movimento viu-se obrigada a recalibrar o tom. O constrangimento nos estúdios foi visível: a imprensa que decretava o fim do clã Bolsonaro teve que noticiar que a oposição moveu a máquina burocrática da maior potência do planeta, emparedando a narrativa do governo federal e deixando o ecossistema de comentaristas sem roteiro.

Contudo, o pragmatismo dessa nova era não escolhe apenas um lado e exige honestidade intelectual na análise. O próprio cerco montado em solo americano contra o ministro Alexandre de Moraes demonstra como a pressão internacional é utilizada como moeda de troca de alto valor. Se por cinco meses a aplicação da Lei Global Magnitsky contra o magistrado representou o ápice da agressividade institucional de Washington, a sua posterior revogação pelo presidente Donald Trump revelou o verdadeiro espírito da realpolitik.

A retirada das sanções não foi um recuo ideológico, mas sim uma clássica composição diplomática de bastidores. Diante da intervenção direta do governo brasileiro e sob a sombra de um “tarifaço” comercial que ameaçava exportações vitais, Washington usou a caneta das sanções como alavanca de negociação econômica. Cedeu-se no campo jurídico-institucional para avançar no tabuleiro das concessões comerciais.

O cenário que se desenha para o futuro é complexo. Enquanto os blogueiros alinhados tentam criar novas cortinas de fumaça para camuflar o revés do governo, as ações judiciais de plataformas americanas continuam ativas na Flórida, e a internacionalização do combate ao narcotráfico impõe um severo regime de compliance que afetará o mercado brasileiro.

O cidadão e o analista que exercem o sagrado direito de pensar não podem se deixar guiar por análises de conveniência de quem confunde desejo político com fato jornalístico. O que o eixo Brasília-Washington nos mostra é que o cabo de guerra continua tenso, e os “isolados” de ontem tornaram-se os protagonistas que hoje ditam o ritmo da próxima jogada.

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