O programa EcoAm investiu, ao longo de duas jornadas do Lab de Impacto, R$ 1 milhão em 17 negócios da bioeconomia amazônica. Somente na segunda edição, que encerrou na última sexta-feira, dia 29 de maio, mais de R$ 535 mil foram investidos em oito empreendimentos dos territórios de Ji-Paraná (RO), Rio Branco (AC), Tefé (AM) e regiões adjacentes por meio de formações, mentorias especializadas e conexões estratégicas voltadas ao fortalecimento de soluções sustentáveis na Amazônia Legal.
A iniciativa integra uma estratégia de fortalecimento dos ecossistemas de empreendedorismo e inovação na região. Até 2027, o progama tem como objetivo co-construir centros de inovação social e bioeconomia, atuando em cinco frentes: Ecossistema de Impacto, Aceleração de Negócios, Investimento, Conhecimento e Legado.
Washington Silva, gerente do EcoAm, destaca que o programa reforça o papel do empreendedorismo como ferramenta de transformação econômica, social e ambiental na região.
“Os negócios desta edição mostram a diversidade e a potência das soluções que nascem nos territórios amazônicos. São empreendimentos que geram renda, fortalecem cadeias produtivas locais e demonstram que é possível aliar desenvolvimento econômico, conservação ambiental e transformação social”, afirma o coordenador.
Oito negócios impulsionados em três territórios amazônicos
Os empreendimentos contemplados para a segunda edição do Lab de Impacto – EcoAm foram: Nãnê Sorvete Amazônico (Rio Branco – AC); Cooperativa de Produtores Familiares e Economia Solidária da Floresta do Mogno (COOPERMOGNO), de Tarauacá (AC); Dr. da Borracha (Epitaciolândia – AC); Horta Moriá (Jaru – RO); Empório Agricultura Familiar (Ji-Paraná – RO); Associação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais da Agricultura e da Pesca de Tefé (ATTRUP); Cooperativa Agrícola Indígena Nova Esperança (COOINE); e Apoena Produtos da Amazônia, ambos de Tefé (AM).
Nesta edição, o programa recebeu mais de 55 inscrições e selecionou oito negócios que atuam em segmentos como alimentação, artesanato, calçados e produtos ligados à sociobiodiversidade amazônica.
A inclusão e a diversidade também estiveram presentes desde a fase de seleção. Entre os inscritos, 90% se identificaram como pessoas não brancas — entre pardos, indígenas e pretos — e 60,7% dos negócios eram liderados por mulheres.
Junto do aporte financeiro, os negócios tiveram acompanhamento técnico por meio de 16 consultorias conduzidas por seis especialistas, totalizando 64 horas de capacitação e suporte coletivo para diferentes gargalos, como gestão financeira, vendas, marketing e governança estratégica.
Marcus Bessa, cofundador do Impact Hub, organização realizadora do EcoAm, destaca os próximos desafios e oportunidades que os empreendimentos encontrarão ao longo da jornada.
“O encerramento desta etapa não representa o fim da jornada. Agora, os empreendedores seguem para as próximas fases: o acesso ao mercado e o fortalecimento de suas redes de relacionamento, com o objetivo de ampliar oportunidades para que essas iniciativas alcancem novos clientes, parceiros e investidores”, complementa Bessa.
Primeira edição do Lab EcoAm
Realizada em 2025, a primeira edição da Lab de Impacto – Edição EcoAm impulsionou nove negócios e totalizou R$ 480 mil em investimentos.
Dos selecionados de Ji-Paraná, participaram 3 empreendimentos: Cacau Raíz (Ouro Preto do Oeste), Café Coopaiter (Cacoal) e Cantinho da Castanha (Ji-Paraná). De Rio Branco, outros 2 negócios: Amazon NanoForest (Rio Branco) e Mel Bonal (Senador Guiomard). De Tefé, 4 negócios receberam investimento: Turismo Ubim (Maraã), Salgadeira Cabocla/COPEMAPREM (Fonte Boa, RDS Mamirauá), Fábrica Sabor dos Sonhos (Tefé) e Associação dos Agricultores Rurais de Alvarães (Alvarães).
Próximos passos
Na próxima chamada do Lab de Impacto EcoAm, serão selecionados 13 negócios para receberem, somados, investimentos de até R$ 1,2 milhão. Ao final de 3 ciclos, o programa terá, ao todo, 30 negócios apoiados e mais de R$ 2,2 milhões investidos na bioeconomia amazônica.
Do interior a floresta para novos mercados
A acreana Izanelda Magalhães foi uma das participantes. A chef está à frente da Nãnê Sorvete Amazônico, que produz artesanalmente sorvetes e picolés com insumos naturais da floresta amazônica, sem aditivos ou aromatizantes artificiais. A atuação fortalece cadeias produtivas locais, promove o uso sustentável da biodiversidade regional e resgata memórias afetivas e culturais.
Para ela, a participação no programa ocorre em um momento estratégico para a empresa, que trabalha na estruturação de um modelo de franquias para ampliar sua presença em diferentes regiões do país.
“A Nãnê, antes do Lab, estava e ainda está em expansão, em um processo de construção de uma franquia, para que consigamos chegar em todos os lugares do Brasil. E esse processo está se dando com muitas colaborações, e o Lab é um desses braços colaboradores”, afirma.
A empreendedora ainda destaca que os aprendizados serão fundamentais para seguir democratizando o consumo dos verdadeiros sabores amazônicos. “A gente vai chegar aonde não podia. Vamos estar dentro de um bairro periférico, na área central de Rio Branco, naquela padaria comunitária, naquele bairro onde provavelmente as pessoas não viriam apenas para tomar um sorvete”, acrescenta.
Entre os negócios acelerados também está a ATTRUP, que representa pescadores e agricultores familiares do município de Tefé. O presidente da entidade, Ocimar Souza Andrade, avalia que a participação no programa já gerou resultados concretos para a comunidade.
Além do investimento financeiro, ele destaca que o acesso a conhecimentos técnicos e estratégicos tem sido fundamental para fortalecer a gestão da organização e ampliar as oportunidades para os trabalhadores atendidos.
“Nós conseguimos comprar algo que tanto almejamos: um barco para atender nossos associados, os pescadores do município de Tefé. Eu sei que ainda falta muito, mas estamos no início de tudo. Quero agradecer pelo projeto, que veio entender a nossa necessidade e também trazer o saber, que eu acho, para nós, o mais importante. Muitas vezes a gente tem vontade, mas não tem a sabedoria que possa implementar e fazer crescer o nosso próprio negócio”, finaliza.
Mais sobre o Lab de Impacto
O Lab de Impacto é o programa de aceleração do Impact Hub Manaus voltado ao fortalecimento de negócios socioambiental na Amazônia. Desde sua criação, a iniciativa já investiu mais de R$ 3 milhões e impulsionou mais de 40 negócios em seis estados da Amazônia Legal, fortalecendo empreendimentos dos territórios das florestas e rios amazônicos por meio de investimentos, conexões estratégicas e capacitação.
Entre as iniciativas apoiadas estão Ateliê Derequine, Sapopema Biojoia, Bactolac, Adubo Sustentável, Vitrum, Taberna da Amazônia e Flor de Jambu. Os empreendimentos seguem gerando benefícios econômicos, sociais e ambientais em seus territórios e em outras regiões do Brasil, e também no exterior.
Já o Lab de Impacto – EcoAm é voltado ao fortalecimento de negócios da bioeconomia nos territórios de Ji-Paraná (RO), Rio Branco (AC) e Tefé (AM). O programa conta com parceria local do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) em Tefé, e parceria estratégica do Instituto Meraki, Meraki Impact, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), BID Lab e Fundo Vale. Para mais informações, acompanhe as redes sociais: @ecoamecossistema.





