
A saúde pública no Amazonas volta a ser palco de um cenário alarmante de descaso e falta de pagamento. Uma denúncia contundente veiculada pelo jornalista Alex Braga acendeu o alerta vermelho na capital: o calote crônico do Estado com fornecedores essenciais agora ameaça paralisar o atendimento em complexos hospitalares vitais de Manaus. Para quem acompanha os bastidores da política amazonense, o episódio não é uma surpresa, mas sim o reflexo de um histórico marcado por operações policiais e investigações que cercam o ex-governante e atual pré-candidato ao Senado, Wilson Lima.
O Novo Alerta: Apagão de Equipamentos em Hospitais de Manaus
A acusação mais recente, detalhada no vídeo abaixo, expõe um documento oficial protocolado junto à Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), nominalmente direcionado à secretária Nayara Maksude. No documento, a empresa Fast Copi Med formaliza uma realidade grave: a prestadora afirma estar sem receber os repasses devidos pelo governo estadual desde o ano de 2022.
Cansada de promessas e diante de uma inadimplência que já dura cerca de quatro anos, a empresa notificou o Estado sobre a retirada imediata de aparelhos médicos e equipamentos de suporte locados. Se a medida for concretizada, o impacto atingirá em cheio o atendimento de alta complexidade em unidades fundamentais para a população, como:
- Hospital Universitário Francisca Mendes
- Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD)
- Instituto de Saúde da Criança do Amazonas (ICAM)
- Maternidade de Referência Ana Braga
Na sua cobrança, o jornalista Alex Braga questiona o destino das verbas públicas, apontando que bilhões de reais foram carimbados para Organizações Sociais (OSs), enquanto contratos básicos de manutenção e locação de maquinários que salvam vidas sofrem com atrasos severos.
Memória Chumbo Grosso: A Linha do Tempo das Investigações
O colapso atual relatado pela imprensa local se conecta diretamente a uma série de polêmicas e operações da Polícia Federal que marcaram a gestão de Wilson Lima nos últimos anos. Relembre os casos mais marcantes:
- O Escândalo dos Respiradores na Loja de Vinhos (Operação Sangria)
Em abril de 2021, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Wilson Lima ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) sob a acusação de chefiar uma suposta organização criminosa para desvio de verbas destinadas ao combate à Covid-19. O caso ganhou repercussão internacional e indignou a opinião pública quando a PF revelou que 28 respiradores hospitalares foram comprados com superfaturamento por meio de uma distribuidora de vinhos. O sobrepreço estimado passou de meio milhão de reais e, em setembro do mesmo ano, a Corte Especial do STJ aceitou a denúncia, tornando Wilson Lima réu por fraude em licitação, peculato e organização criminosa.
- A Crise de Oxigênio e os Alertas Ignorados
O momento mais dramático da história recente do estado ocorreu em janeiro de 2021, com a falta de oxigênio hospitalar em Manaus. Durante os depoimentos e quebras de sigilo na CPI da Pandemia no Senado Federal, veio a público que a fornecedora White Martins havia alertado formalmente o governo do Amazonas sobre o colapso iminente do insumo com dias de antecedência. A falta de resposta logística ágil culminou na tragédia que chocou o país. O governador chegou a ser convocado pela CPI, mas garantiu um habeas corpus no STF para não depor.
- Pedido de Prisão Preventiva e Buscas da PF
Na quarta fase da Operação Sangria, deflagrada em junho de 2021, a Polícia Federal chegou a formalizar um pedido de prisão preventiva contra Wilson Lima, argumentando que a cúpula do governo mantinha interferência direta em fraudes contratuais contínuas — que iam de lavanderia hospitalar a exames laboratoriais. O STJ negou a prisão na ocasião, mas autorizou mandados de busca e apreensão no gabinete e na residência oficial do chefe do Executivo, além do bloqueio de bens.
Olho Aberto
Enquanto a pré-campanha rumo ao Senado Federal tenta blindar a imagem política do ex-governador focando em entregas e assistencialismo, a realidade dos hospitais públicos mostra que a conta do gerenciamento da saúde no Amazonas continua chegando para o cidadão comum. O Portal Chumbo Grosso segue acompanhando os desdobramentos dessa crise e cobrando respostas definitivas dos órgãos de fiscalização e controle. O espaço está aberto para que os citados possam se manifestar.




