Copa do mundo em sala: alunos da rede estadual produzem livro a partir de estudo de linguagens e da história do futebol

Na busca por novas expressões para representar o “jogo de bola com o pé”, alunos do Colégio Brasileiro Pedro Silvestre contam a história do futebol por meio de símbolos inéditos

Foto: Divulgação / Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar

Em uma iniciativa inovadora, mais de 150 estudantes do Colégio Brasileiro Pedro Silvestre, localizado no Centro de Manaus, foram convocados a criar, de diferentes formas, novas expressões para representar o futebol brasileiro. Coordenado pela professora de Educação Física, Monique Cunha, o projeto levou à produção do livro “Pé do Mundo no Jogo da Molequice”, que reúne textos e ilustrações feitas manualmente pelos alunos da unidade escolar.

Com 42 páginas de pura história e criatividade, o livro foi desenvolvido pelos estudantes a partir de vários encontros em sala de aula focados na leitura, contação de histórias e experiências com o futebol de rua, além da apresentação do documentário regional “Amazonas, o Jogo da Bola”, dirigido por Francisco Fill. Segundo a professora responsável, Monique Cunha, a intenção era que os alunos conhecessem a história do futebol do Brasil e do Amazonas que não está contada nos livros.

“Nós nos deparamos com fatos históricos que não encontramos no Google ou nos livros que temos em nossas mãos. São histórias vividas desde a época colonial, então convidei os estudantes a criarem uma parte dessa história do futebol, trazendo novas expressões que representem o ‘jogo de bola com o pé’”, esclareceu a professora.

Além da prática esportiva

Para Monique, a Educação Física vai além da prática esportiva e dos gestos técnicos, sendo, na realidade, um lugar de existência onde os estudantes podem experimentar juntos, exercendo o poder da imaginação e da criatividade enquanto aprendem. O sentimento é compartilhado pela aluna Maria Júlia, 12, do 7º ano, criadora da palavra ‘pebol’ com diferentes símbolos utilizados na escrita.

“Onde eu moro, as pessoas do meu bairro chamam de pebol, então fui pensando como é que eu faria as letras dessa palavra pra deixar diferente, como um código. Troquei a letra ‘o’ por uma espiral, que representa algo que não acaba, algo infinito. O pebol é uma brincadeira que todos podem jogar, que todas as crianças conhecem, é muito legal”, declarou a estudante.

No grupo dos criadores da palavra “Undaiaball”, o aluno Asafe Travasso, 12, do 6º ano, compartilhou que a ideia veio do contato com histórias de narradores utilizando a expressão “undaia”, similar ao famoso “olé”, para exaltar lances de habilidade dos jogadores de futebol, como canetas e dribles. O termo surgiu como fonema rítmico da música “Dizeres”, da cantora Lourena, lançada em 2019.

“Undaiaball veio de uma narração dos melhores lances do jogador Jorge Carrascal durante um jogo de futebol. O termo rapidamente virou febre e todo mundo começou a falar “undaia” nos dribles e lances. Virou um fenômeno no Brasil”, comentou o estudante.

Escrito manualmente pelos estudantes e digitalizado, editado e diagramado pela professora Monique, o livro conta com aproximadamente 30 formas de escrita diferentes que demonstram a curiosidade e originalidade dos alunos, além de expressar sentimentos sobre o futebol e seu significado cultural. A versão em e-book pode ser acessada por meio do link: https://drive.google.com/file/d/1Brqz4_Zdua1t9mAis2O5J-nYvpXSGagR/view.

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