O caso da jovem Larissa Amorim, de 29 anos, expõe o lado mais perverso do gigantismo estatal e da ineficiência administrativa do Ministério da Saúde. Mão de dois filhos, Larissa travava uma batalha contra a leucemia e conseguiu o que a lei garante: uma decisão judicial exigindo o fornecimento imediato de um medicamento de imunoterapia já aprovado pelo próprio governo.
A resposta da máquina federal? Cinquenta e nove dias de silêncio, empulhação burocrática e pedidos de “depósito judicial” enquanto o tempo da paciente esgotava. Larissa morreu sem receber a medicação.
Não se trata de um fato isolado ou de mera fatalidade. A representação protocolada pela Associação Brasileira de Câncer do Sangue (Abrale) no Ministério Público Federal escancara o que se tornou rotina na gestão da saúde pública: um abismo entre a canetada que incorpora um remédio no papel e a entrega real do tratamento na ponta.
O governo acumula discursos, mas falha no básico — na logística de compras emergenciais e no cumprimento imediato de ordens da Justiça quando o que está em jogo é a vida do cidadão. Quando a burocracia de um ministério fala mais alto do que a urgência de um paciente com câncer, o sistema deixa de prestar socorro para se tornar cúmplice da tragédia.
A sociedade não quer justificativas regimentais nem repasse de culpa entre instâncias jurídicas. Quer gestão eficiente e respeito a quem depende do Estado para continuar vivo.





