VAZAMENTO TÓXICO: Incidente na fábrica de ex-suplente de Eduardo Braga manda mais de 600 pessoas para os hospitais em Manaus

A tragédia química no Distrito Industrial deixou centenas de trabalhadores e moradores mal e ligou o sinal de alerta máximo na saúde pública; dois óbitos seguem em investigação.

Um grave vazamento de gás estireno em um tanque da fábrica Videolar-Innova, localizada no Distrito Industrial de Manaus, desencadeou uma crise sanitária na capital amazonense. Até a tarde desta segunda-feira (20), o número de pessoas atendidas na rede pública e privada de saúde com sintomas de intoxicação chegou a 648.

A empresa pertence ao empresário Lírio Parisotto, conhecido por ter sido o segundo suplente do senador Eduardo Braga (MDB-AM) entre 2011 e 2019.

O rastro da intoxicação

O vazamento começou na última quarta-feira (15), quando a elevação anormal de temperatura em um reservatório liberou a substância química na atmosfera. O odor forte e tóxico rapidamente se espalhou por diversos bairros, atingindo trabalhadores do próprio Polo Industrial, moradores em suas casas e pedestres no centro da cidade.

Os dados da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) revelam a dimensão do impacto:

  • 67% das vítimas foram expostas no próprio local de trabalho.
  • 19% sentiram os efeitos dentro de casa.
  • 78% dos pacientes apresentaram problemas respiratórios e 20% sofreram lesões ou reações na pele.
  • Entre os atingidos estão trabalhadores, idosos e até crianças com menos de um ano.

Dois óbitos sob investigação

A Vigilância Epidemiológica de Manaus (Cievs) investiga dois óbitos para confirmar ou descartar a relação direta com a inalação do gás estireno:

  1. Um idoso de 60 anos, que estava no Centro da cidade e passou mal no dia 16.
  2. Um trabalhador do Distrito Industrial, de 66 anos, notificado na madrugada do último domingo (19).

Até o momento, apenas um paciente permanece hospitalizado, mas os protocolos de saúde determinam que as pessoas expostas sigam em monitoramento rigoroso por até 72 horas.

Cobrança e fiscalização

Enquanto a prefeitura mantém o Gabinete de Crise acionado, os órgãos de fiscalização ambiental (Semmas e Ipaam) e o Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) acompanham as investigações. A cobrança da população e dos trabalhadores é por respostas céleres, aplicação severa de multas e rigor na apuração das responsabilidades operacionais e criminais pelo desastre químico.

A redação do Chumbo Grosso segue acompanhando o desdobramento do caso e o estado de saúde dos atingidos.

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