A tarde desta sexta-feira (24) foi marcada por sangue, luto e indignação nas forças de segurança do Amazonas. O investigador da Polícia Civil Luciano Carvalho de Sena, de 44 anos, lotado no Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), foi covardemente assassinado durante um confronto com o crime organizado no bairro Alvorada, zona Centro-Oeste de Manaus.
O agente realizava uma incursão contra o tráfico em uma viatura descaracterizada na rua Álvaro Maia quando a equipe surpreendeu uma transação de drogas. Ao desembarcarem, os policiais foram recebidos a tiros por criminosos. Luciano foi atingido no pescoço e no braço, chegou a ser socorrido ao SPA do Alvorada, mas não resistiu aos ferimentos.
A Resposta do Estado: Cerco, Prisões e Caçada Humana
A reação das forças policiais foi imediata, desencadeando uma grande operação integrada entre a Polícia Civil, Polícia Militar e SSP-AM nas ruas da capital:
- Prisão em Condomínio de Luxo: A suspeita Mayara Silva da Silva foi encurralada e presa na noite de hoje dentro de um condomínio no bairro Tarumã, Zona Oeste. Ela é apontada como participante direta da ação criminosa.
- Droga Apreendida: Na fuga, os criminosos abandonaram uma picape na rua K, no Alvorada 2, contendo tabletes de entorpecentes.
- Suspeito Baleado: Um dos criminosos atingido no tiroteio já está sob custódia policial.
- Foragido: As equipes continuam no encalço de Rafael Pereira Freitas, que segue sendo caçado na capital.
Do Escândalo da ‘Máfia dos Guinchos/Roubo de Carga’ ao Cerco das Operações: Quem é o Cabo Bruno Everson?
Entre os nomes que voltam a borbulhar nos bastidores da segurança e das operações de investigação na capital está o do Cabo da Polícia Militar Bruno Everson Pinto dos Santos.
Para quem não se recorda, o Cabo Bruno Everson não é figura estranha nas páginas policiais e investigações de bastidor. Revelado em apurações recentes — como a matéria veiculada pelo portal Radar Amazônico —, ele foi alvo de mandado de prisão temporária e busca e apreensão acusado de envolvimento direto em um esquema de roubo de caminhão de carga no bairro Mauazinho.
Naquele episódio, o militar — ao lado de outros agentes e auxiliares da SSP-AM — foi acusado de usar veículos oficiais da frota do estado (como uma Ford Ranger) rodando com placas clonadas e falsas para interceptar, agredir e roubar motoristas de transporte de carga.
A ficha e o histórico de agentes que deveriam honrar a farda, mas acabaram figurando em escândalos de uso da máquina pública para práticas criminosas, reabrem a ferida sobre a necessidade urgente de depuração interna nas corporações.
Luto e Cobrança por Justiça
Enquanto o corpo do investigador Luciano Carvalho de Sena é velado sob comoção dos colegas de farda, a ordem dentro da Polícia Civil e Militar é uma só: tolerância zero.
O Chumbo Grosso segue acompanhando o desdobramento das buscas nas ruas de Manaus. O crime organizado e as “ovelhas negras” incrustadas no sistema não terão sossego.

Em 2023, o cargo de secretário de Segurança Pública do Amazonas foi ocupado por dois titulares ao longo do ano: o general Carlos Alberto Mansur (de janeiro até agosto) e o coronel Vinícius Almeida (a partir de 29 de agosto)





