O rastro de David Almeida: alianças rompidas, promessas ao povo quebrada e uma assessora presa – Por: Ronaldo Aleixo

Como o cidadão comum pode confiar na estabilidade de um projeto político que muda de direção ao sabor dos ventos e das conveniências pessoais?

Foto: Rede Social/BeFunky-collage

A política, em sua essência, deveria ser um pacto de confiança entre o governante e o cidadão. Quando o eleitor vai às urnas, ele não deposita apenas um voto; ele chancela um projeto de cidade, um conjunto de promessas e a palavra de um líder. No entanto, o cenário político recente de Manaus e do Amazonas nos obriga a fazer um questionamento desconfortável, mas necessário: qual é o real valor da palavra do ex-prefeito David Almeida?

Para responder a essa pergunta, basta olhar para o retrovisor recente de sua trajetória. Não faz muito tempo que David Almeida subia aos palanques e utilizava os microfones para garantir ao povo manauara que cumpriria integralmente o seu segundo mandato na prefeitura. Era o compromisso de quem pedia mais quatro anos para cuidar da capital. Essa promessa durou apenas até que os tabuleiros do poder se movessem. No dia 31 de março de 2026, a capital assistiu à sua renúncia oficial, deixando o cargo nas mãos do vice para se lançar pré-candidato ao Governo do Estado. O compromisso com Manaus foi interrompido no meio do caminho.

Essa mudança brusca de rota não aconteceu no vácuo. Ela foi o estopim de uma série de eventos turbulentos que misturam conveniência eleitoral e escândalos de segurança pública. Lembremos da relação de David Almeida com o senador Omar Aziz. O que antes era apresentado como uma aliança sólida e cheia de juras de apoio mútuo, ruiu publicamente em fevereiro de 2026, transformando aliados de ontem em adversários ferrenhos de hoje.

O pano de fundo dessa ruptura dramática foi a Operação Erga Omnes, deflagrada pela Polícia Civil. O caso chocou a opinião pública ao mirar um suposto núcleo político infiltrado por uma das maiores facções criminosas do país, o Comando Vermelho. O epicentro da crise bateu diretamente na porta do gabinete de David Almeida, resultando na prisão de sua chefe de gabinete e assessora direta, investigada por suposta lavagem de dinheiro.

Em vez de adotar uma postura de cautela e colaboração transparente com as investigações, a reação do então prefeito foi o ataque e a politização do caso. Ao classificar a operação policial como “tão legítima quanto uma nota de 300 reais”, David Almeida rompeu com o grupo governista, mudou de lado ao se aliar ao senador Eduardo Braga e, logo em seguida, abandonou a prefeitura para tentar o Palácio da Alvorada estadual.

Diante de um histórico tão volátil, o eleitor amazonense se encontra em uma encruzilhada moral e política. Da jura de amor e apoio a Omar Aziz ao rompimento ruidoso; da promessa solene de terminar o mandato na capital à renúncia precoce; das graves suspeitas que rondaram seu entorno direto à pressa em buscar um novo cargo majoritário. Como o cidadão comum pode confiar na estabilidade de um projeto político que muda de direção ao sabor dos ventos e das conveniências pessoais?

Os defensores de David Almeida tentarão emplacar a narrativa de que a renúncia e a candidatura ao governo são gestos de coragem e expansão partidária do Avante. No entanto, para quem analisa os fatos com isenção, a realidade se impõe: a pressa em deixar a prefeitura e a quebra sistemática de alianças e promessas deixam um rastro evidente de incoerência. No fim das contas, a política se alimenta de credibilidade — e a confiança, uma vez rompida com o eleitor, não se reconstrói com discursos de ocasião.

 

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