É o fim da linha para as relíquias sobre rodas. O martelo foi batido e a canetada oficializada: a partir de 1º de agosto, a mistura de etanol na gasolina subiu para surreais 32%. No papel, o discurso bonito de sempre foca na sustentabilidade e no bolso dos barões das usinas de cana-de-açúcar. Na prática, o governo acaba de assinar a certidão de óbito de milhares de carros antigos e clássicos que rodam pelo país. Um verdadeiro crime contra o patrimônio automotivo nacional, empurrado goela abaixo do cidadão.
Quem tem um carro antigo carburado ou um importado dos anos 90 na garagem sabe muito bem o tamanho do drama. O motor desses veículos foi projetado para queimar gasolina de verdade, não um coquetel químico que parece mais cachaça de posto. O etanol é altamente corrosivo. Ele ataca implacavelmente as vedações de borracha, derrete mangueiras que não foram feitas para isso e oxida os tanques de metal de dentro para fora. Deixar uma joia dessas parada com essa nova gasolina E32 no tanque é pedir para que o combustível absorva umidade, vire água e destrua todo o sistema de alimentação.
O pior dessa história toda é o silêncio ensurdecedor que toma conta do país. Ninguém vai reclamar. As grandes montadoras não dão a mínima, afinal, o negócio delas é vender carro Flex zero quilômetro com tecnologia para rodar até com água de batata. Os donos de postos repassam o produto e lavam as mãos. Sobrou apenas para o antigomobilista e para o trabalhador que depende de um veículo mais velho pagar a conta da oficina. Se você tem amor pelo seu antigo, o conselho é um só: prepare o bolso para peças de reposição caras ou deixe o carro secando no cavalete, porque a frota histórica do Brasil foi condenada ao ferro-velho por decreto presidencial.





