A disputa eleitoral pelo comando do Boi-Bumbá Caprichoso ganhou um novo capítulo de tensão. Segundo fontes ligadas à Comissão Eleitoral ouvidas pela reportagem, integrantes do colegiado vêm sendo alvo de tentativas de intimidação e ameaças atribuídas a pessoas ligadas à chapa “Caprichoso de Todos Nós”, encabeçada por Carmona Oliveira e Juarez Filho.
De acordo com os relatos, as pressões estariam ocorrendo tanto em Parintins quanto em Manaus e envolveriam advogados, integrantes da equipe jurídica e outras pessoas relacionadas à campanha. As abordagens teriam aumentado justamente durante a análise das impugnações apresentadas contra a candidatura.
Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que o ambiente de pressão chegou a um ponto considerado grave dentro do colegiado. Um dos integrantes da Comissão Eleitoral teria manifestado a intenção de deixar a função diante das supostas ameaças e da pressão que estaria sofrendo no exercício de suas atribuições.
A situação envolve diretamente o trabalho da comissão, responsável por conduzir o processo eleitoral e analisar os pedidos de impugnação apresentados contra as chapas inscritas para a disputa do triênio 2027–2029.
Ficha Suja
A chapa de Carmona Oliveira pode ser considerada impedida de participar do pleito em virtude de várias condenações no Tribunal de Justiça de Justiça do Estado do Amazonas.
Os documentos apresentados pelas duas chapas ultrapassam 600 páginas e questionam, entre outros pontos, documentos apresentados por Carmona Oliveira e Juarez Filho, prestações de contas relacionadas a gestões anteriores e decisões do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM).
Um dos questionamentos envolve seis decisões do TCE-AM, todas de 2017, relacionadas a recursos destinados ao Boi Caprichoso. As impugnações também levantam questionamentos sobre certidões apresentadas no processo de registro da chapa.
Comissão Eleitoral sob pressão
A Comissão Eleitoral é presidida pelo juiz Mauro Moraes Antony, responsável pela condução do processo juntamente com os demais integrantes do colegiado.
Segundo as fontes ouvidas pela reportagem, os episódios de pressão não seriam isolados e já teriam causado preocupação entre integrantes da comissão. A possibilidade de um membro deixar o colegiado por causa das supostas intimidações é apontada como um dos sinais da dimensão que o conflito teria alcançado nos bastidores da eleição.
A eventual confirmação de ameaças ou tentativas de constrangimento contra integrantes da Comissão Eleitoral poderá ter consequências no próprio processo eleitoral, uma vez que o colegiado precisa exercer suas funções com independência para analisar as impugnações e decidir sobre a habilitação das chapas.
A reportagem procurou informações sobre eventual registro formal dos episódios e busca manifestação do presidente da Comissão Eleitoral, Mauro Moraes Antony.
A reportagem ressalta que as informações sobre ameaças e intimidações são baseadas em relatos de fontes ligadas à Comissão Eleitoral ouvidas sob reserva. A eventual responsabilização individual depende de confirmação documental e de apuração formal dos fatos.





