O deputado estadual e presidente da Federação Amazonense de Futebol (FAF), Ednailson Rozenha, vive momentos de forte cobrança nos bastidores do esporte local e na política estadual. Enquanto adota postura rígida na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) — onde recentemente cobrou do governador Roberto Cidade a exoneração do secretário estadual de Saúde, Luís Alberto Saraiva Santos —, o parlamentar passa a ser questionado pela gestão financeira da entidade esportiva que comanda.
Relatos de colaboradores e prestadores de serviços apontam que a FAF enfrenta atrasos de pagamentos que comprometem o andamento do calendário do futebol no estado e afetam diretamente o sustento de dezenas de famílias.
Atrasos na Arbitragem e nos Salários da Entidade
De acordo com informações obtidas junto a profissionais da área, a situação na federação preocupa o setor financeiro e os trabalhadores da base:
Débitos com a Arbitragem: Árbitros e assistentes relatam o não recebimento de cotas por partida desde o início do ano. As pendências incluem jogos de torneios como a Copa da Floresta, o Campeonato Sub-20 e categorias de base, com cotas individuais que variam entre R$ 1.800,00 e R$ 3.000,00 por jogo.
Folha de Pagamento em Atraso: Funcionários do quadro administrativo da FAF relatam estar há mais de três meses sem receber seus proventos.
Risco às Competições: Diante da escassez de caixa, o setor financeiro da própria entidade teria recomendado a suspensão temporária dos campeonatos estaduais.
Cobrança sem dever de casa: Como exigir gestão do Governo se a própria FAF enfrenta calote em salários?
As denúncias de atrasos geram fortes questionamentos sobre o contraste entre a falta de recursos para os trabalhadores da federação e a expressiva estrutura de vencimentos assegurada ao seu gestor. Ednailson Rozenha detém posições de grande relevância financeira e institucional:
Repasses da CBF: Na condição de presidente de federação estadual, Rozenha tem direito a uma verba mensal de R$ 215 mil paga pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), além de um 16º salário anual previsto pela entidade nacional.
Vice-Presidência da CBF: O dirigente também ocupa o cargo de vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol.
Mandato na Aleam: Como deputado estadual em exercício, possui os subsídios e verbas regulamentares do cargo parlamentar.
Eleito para comandar a FAF em mandato vigente até 2030 (ao lado do vice-presidente Eufrásio Assis Azevedo Filho), Rozenha atua de forma ativa no cenário político amazonense. O contraste entre os discursos de cobrança por eficiência na gestão pública e as reclamações trabalhistas não resolvidas na FAF recoloca a gestão do dirigente sob o escrutínio público no período eleitoral.
Nota da Redação:
A reportagem mantém o espaço totalmente aberto para as manifestações oficiais do deputado Ednailson Rozenha, da diretoria da Federação Amazonense de Futebol (FAF) e dos demais citados para os devidos esclarecimentos.
Reafirmamos que o sigilo da fonte é um direito constitucional fundamental e inviolável (Art. 5º, inciso XIV, da Constituição Federal de 1988), assegurado a este veículo de comunicação para resguardar a integridade e a segurança dos trabalhadores e colaboradores que prestaram informações sobre o caso.





