Quem já passou por uma crise de sinusite sabe como a sensação de nariz entupido, pressão no rosto, secreção e dificuldade para respirar pode atrapalhar até as atividades mais simples do dia a dia. Em alguns casos, os sintomas aparecem durante ou depois de um resfriado e desaparecem em pouco tempo. Em outros, porém, o incômodo persiste por semanas e pode se tornar recorrente, sinal de que a inflamação pode ter evoluído para um quadro crônico. Mas quais condições e hábitos favorecem o surgimento ou contribuem para a piora do problema?
“A sinusite aguda geralmente está relacionada a infecções das vias respiratórias, como resfriados e gripes, e costuma ter duração limitada. Já a forma crônica exige atenção porque os sintomas permanecem por pelo menos 12 semanas e podem estar associados a diferentes fatores, como alergias, alterações anatômicas e pólipos nasais”, explica a Dra. Camila Marinho, otorrinolaringologista do HOPE.
Entre os fatores que podem contribuir para o aparecimento ou a piora do problema estão a rinite alérgica sem controle adequado, alterações estruturais dentro do nariz, pólipos nasais, exposição à poluição e à fumaça de cigarro. Infecções respiratórias recorrentes e algumas doenças associadas, como asma, também podem aumentar a predisposição.
“A inflamação da mucosa pode dificultar a ventilação e a drenagem dos seios paranasais. Quando existem alergias, alterações anatômicas ou contato frequente com substâncias irritantes, esse processo pode se manter por mais tempo. Por isso, controlar doenças associadas e reduzir a exposição a esses agentes é importante para diminuir a frequência e a intensidade das crises”, diz a médica.
Alguns hábitos cotidianos também merecem atenção. Ambientes com poeira, mofo ou ar muito seco podem favorecer irritação das vias respiratórias. O tabagismo, inclusive a exposição passiva, é outro fator que merece ser evitado. Manter boa hidratação e realizar higiene nasal com solução salina, quando orientada pelo especialista, pode ajudar na manutenção da saúde das vias aéreas.
“Não existe um único comportamento responsável pelo desenvolvimento da sinusite. O mais comum é haver uma combinação entre predisposição individual, doenças respiratórias e fatores ambientais. Evitar fumaça, cuidar das alergias, manter os espaços ventilados e procurar avaliação médica diante de sintomas persistentes são atitudes que fazem a diferença”, afirma.
A distinção entre as formas aguda e crônica é importante também para definir a conduta. De acordo com diretrizes atualizadas da American Academy of Otolaryngology Head and Neck Surgery, sintomas que permanecem sem melhora por pelo menos dez dias ou que pioram depois de uma melhora inicial podem indicar sinusite bacteriana aguda e precisam de avaliação clínica. Já a forma crônica exige confirmação objetiva da inflamação por meio de exame médico, podendo ser utilizada endoscopia nasal ou tomografia.
“Um erro comum é considerar que toda secreção nasal significa uma infecção bacteriana e que, portanto, o antibiótico seria necessário. Isso não acontece. A causa precisa ser investigada, porque a sinusite viral não se beneficia desse tipo de medicamento. Na presença de sintomas persistentes, piora do quadro ou recorrência, o ideal é buscar o otorrinolaringologista para estabelecer o diagnóstico correto”, orienta a especialista.
Nos casos crônicos, o tratamento depende das características de cada paciente. Lavagens nasais com solução salina e medicamentos de uso tópico, como corticosteroides intranasais, podem fazer parte da abordagem. A presença de pólipos, alterações anatômicas e outras condições associadas também deve ser considerada antes da definição da estratégia terapêutica.
Um estudo publicado na revista científica The Lancet trouxe novos dados sobre o tratamento da rinossinusite crônica. A pesquisa acompanhou 514 adultos, dos quais 410 apresentavam pólipos nasais. Os participantes foram divididos em grupos que receberam diferentes abordagens terapêuticas, além do tratamento nasal com corticoide e lavagem com solução salina.
“A análise reforça que a cirurgia pode trazer benefícios importantes para pacientes com rinossinusite crônica que continuam sintomáticos apesar do tratamento medicamentoso adequado. Entre os participantes avaliados, a intervenção apresentou resultados superiores na qualidade de vida, quando comparada às estratégias que utilizaram medicamentos”, destaca a otorrinolaringologista. Entre aqueles que passaram pelo procedimento, 87% relataram melhora na qualidade de vida.
“É importante interpretar esses resultados dentro do contexto de pacientes com doença crônica que já apresentavam indicação para uma abordagem mais avançada. A cirurgia não é a primeira escolha para todos os casos. Ela pode ser considerada quando o tratamento clínico não consegue controlar adequadamente os sintomas e existe indicação definida pelo especialista”, finaliza a Dra. Camila Marinho.
A recomendação para quem apresenta obstrução nasal persistente, secreção recorrente, dor ou pressão na face, redução do olfato ou episódios frequentes é procurar avaliação com um médico otorrinolaringologista. A investigação individualizada permite diferenciar uma infecção passageira de uma doença persistente e identificar fatores que podem estar mantendo a inflamação.





