‘É tempo de amar’ de volta no Sou Manaus 2026

A drag queen Joelma Andraus, a artista transexual Manuella Otto e o ativista comunitário Chiquinho Ribeiro tem suas memórias revisitadas em espetáculo contra crimes de ódio com apresentação no Teatro do Icbeu, no próximo domingo (6)

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O espetáculo ‘É tempo de amar’ retorna aos palcos amazonenses no próximo domingo (6), às 19h30, no Teatro Icbeu Manaus, localizado na Avenida Joaquim Nabuco, nº 1286, Centro, dentro da programação teatral do ‘Sou Manaus 2026 – Passo a Paço’, da Prefeitura de Manaus, por meio da Manauscult, com acesso gratuito. O projeto é um teatro documentário de Michel Guerrero com produção da Associação Cultural Apareceu a Margarida (Acam) e conta com o apoio cultural do Luso Sporting Clube.

A peça ‘É tempo de amar’ é um teatro documentário, dividida em três cenas e um epílogo, com dramaturgia escrita pelo teatrólogo Michel Guerrero, que assina também a direção e a iluminação. O elenco é formado por Guerrero também, Gab Bianca e Ney o Virgem, que interpretam respectivamente, Joelma Andraus, Manuella Otto e Chiquinho Ribeiro. A convidada especial para esta apresentação é a drag queen Duda Little.

O espetáculo conta, ainda, com as participações midiáticas da drag queen Brenda Lamasck, dos atores Mário Jorgi e Gomes de Lima e da mãe de Manuella Otto, Hylma Souza.  O artista teatral Sam Kelwen responde pela pesquisa musical junto a Michel Guerrero e executa a sonoplastia. O cineasta Juan Lopes é responsável pelas mídias da peça. A operação de iluminação é de Miguel Figueira.

Histórias entrelaçadas

O espetáculo ‘É tempo de amar’ é um tributo à vida da comunidade LGBTQIA+, dentro da configuração de um Brasil como um dos países que mais matam este grupo no mundo. Apresenta personagens reais que tiveram uma contribuição enorme à sociedade com seus trabalhos artísticos e sociais no estado do Amazonas, como a drag queen Joelma Andraus, o ativista político Chiquinho Ribeiro e a mulher trans e artista Manuella Otto, todos ceifados por crimes de ódio nos anos 2012, 2021 e 2023, respectivamente.

A primeira cena é intitulada ‘Senhoras e senhores, Joelma Andraus’ e recria a noite do ‘Miss Amazonas Gay 2008’, sob apresentação de Joelma Andraus e Brenda Lamasck. A encenação utiliza-se de arquivos da época em conexão com a ação proposta. Depois, em 2012, ano de seu assassinato, Joelma Andraus decide parar de se apresentar nos palcos e relembra histórias de sua vida e de quando era uma das principais drag queens do Rio de Janeiro, ao lado de Rogéria, Isabelita dos Patins e Lola Batalhão, entre outras. Joelma foi cruelmente morta por um namorado e seus amigos, enquanto fazia uma festa em sua casa, no bairro Santa Etelvina.

Michel Guerrero, que vive a Joelma no espetáculo, destaca a importância de contar essas histórias. “Em uma época de incertezas e violências é sempre bom reviver grandes figuras que tiveram suas vidas ceifadas por pessoas desumanas e homofóbicas. Joelma Andraus foi uma delas, artista de grande talento e personalidade que viveu intensamente seus 68 anos e deixou uma marca indelével em todos que a conheceram. Joelma ou Waldir era humana, engraçada, generosa e talentosa, e é com grande prazer que hoje a estou representando nos palcos da vida, onde ela brilhou e deixou sua marca registrada. Jamais será esquecida!”, disse Michel.

‘O sorriso de Manuella’, título da segunda cena, traz as reminiscências de Manuella Otto, suas aspirações infantis com as artes cênicas e seu lado familiar e empresarial, chegando à transição de gênero. Manuella, vítima do ódio, foi assassinada por um policial militar em 2021, em um motel na zona norte de Manaus.

A atriz trans Gab Bianca destaca a importância de atuar nos principais palcos. “Pra mim, como uma atriz e mulher trans, é muito importante poder contar a história de uma das nossas. Ser chamada pra compor esse elenco, é acima de tudo, uma reparação. Que possamos ocupar todos os lugares, inclusive, o palco”, disse Gab.

A última cena ‘O escâaaaandalo Chiquinho’ rememora a trajetória de Chiquinho Ribeiro no bairro do Coroado, de auxiliar de odontologia a assessor parlamentar, lutando por causas dos mais necessitados. Era uma figura muito popular e querida e seu crime chocou o Brasil, com o namorado o ameaçando em transmissão ao vivo nas redes sociais para depois consumar o ato. Já o epílogo é formado por homenagens às vítimas retratadas no espetáculo e um grito de justiça e de basta aos crimes de ódio à comunidade LGBTQIA+.

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