BASTIDORES DE MANAUS: Casos de Maria do Carmo e David Almeida expõem a sombra do crime organizado na disputa pelo Governo.

Análise: Com Maria do Carmo negando qualquer ligação com suspeito preso e David Almeida tentando deixar para trás investigações sobre assessores, disputas eleitorais no Amazonas reacendem o debate sobre a influência de facções nos bastidores da política regional.

O avanço de investigações policiais contra o narcotráfico e o crime organizado no Amazonas atingiu em cheio os bastidores das candidaturas ao Governo do Estado. Em dois episódios com forte paralelo, nomes ligados aos núcleos das campanhas de Maria do Carmo (PL) e do ex-prefeito David Almeida (Avante) viraram alvo de operações policiais, acendendo o sinal de alerta sobre a permeabilidade de grupos criminosos na política amazonense.

De um lado, a prisão em flagrante de um militante que se apresentava como coordenador de campanha da candidata do PL; de outro, os desdobramentos da Operação Erga Omnes, que levou à prisão a ex-chefe de gabinete de David Almeida — gestor que renunciou ao mandato municipal para concorrer ao Governo, transmitindo a prefeitura ao vice, Renato Jr.

O Caso RC Soares e a campanha de Maria do Carmo
A prisão preventiva de Rodrigo Soares, o “RC Soares”, movimentou o meio político ao resultar na apreensão de 2,5 toneladas de drogas pelo Denarc (Polícia Civil). Soares vinha sendo monitorado há dois anos.

Nos bastidores e nas redes sociais, Soares exercia liderança ativa: comandava o Instituto União (usado para promover candidaturas do PL) e apresentava-se publicamente como coordenador da campanha de Maria do Carmo ao Governo. A própria candidata mantinha registros ao lado do investigado em seus perfis oficiais.

O escândalo somou-se a outro episódio recente, quando a candidata republicou em suas redes sociais uma mensagem com ameaças atribuídas a uma facção criminosa contra apoiadores de adversários politicos. Até o momento, a candidata não se pronunciou publicamente sobre a prisão ou sobre as fotos compartilhadas.

https://chumbogrossomanaus.com.br/destaques/preso-por-trafico-de-25-toneladas-de-drogas-se-apresentava-como-coordenador-da-campanha-de-maria-do-carmo/

O Caso Anabela Freitas e a gestão de David Almeida
Meses antes, a Operação Erga Omnes atingiu em cheio o topo do Executivo municipal ao prender Anabela Cardoso Freitas, ex-chefe de gabinete de David Almeida. Ela foi investigada sob suspeita de favorecimento político e lavagem de capitais ligados à facção Comando Vermelho (CV).

Embora acusações relativas ao tráfico direto de drogas e corrupção tenham sido descartadas na fase final do relatório policial e do Ministério Público, o indiciamento por organização criminosa e lavagem de dinheiro foi mantido. Anabela obteve o direito de responder em liberdade provisória via STJ, sob uso de tornozeleira eletrônica.

À época do mandato, David Almeida declarou confiar na inocência da ex-colaboradora e no trabalho da Justiça. Hoje, já como candidato ao Executivo estadual após ter renunciado à Prefeitura de Manaus, o ex-gestor enfrenta o peso político de ter o nome de sua ainda assessora associado a investigações policiais de grande porte.

Sinal de alerta no pleito do Amazonas
Mesmo com desdobramentos e naturezas jurídicas distintas, ambos os casos evidenciam fragilidades institucionais gravíssimas no cenário local:

Vulnerabilidade de Gabinetes e Campanhas: A presença de investigados por elos com o crime organizado em cargos estratégicos compromete a imagem de moralidade exigida no serviço público e nas campanhas majoritárias.

Impacto no Eleitorado: Com o Amazonas ocupando posição de destaque nas rotas do narcotráfico nacional, os eleitores cobram respostas firmes sobre o nível de blindagem que os concorrentes ao Palácio do Rio Negro adotam contra a influência de facções.

Maria do Carmo em entrevista a imprensa nega qualquer envolvimento com o crime citado.

CASO OPERAÇÃO ERGA OMNES
Justiça mantém medidas cautelares contra ex-chefe de gabinete de Manaus

Anabela Cardoso Freitas responde em liberdade após decisão do STJ, mas cumpre restrições enquanto processo por organização criminosa e lavagem de capitais prossegue.
Da Redação — A investigação envolvendo a ex-chefe de gabinete da Prefeitura de Manaus, Anabela Cardoso Freitas, presa em fevereiro deste ano durante a Operação Erga Omnes, segue em andamento na Justiça com novos desdobramentos processuais.

Apontada inicialmente pela Polícia Civil do Amazonas por suposto favorecimento político e lavagem de dinheiro em benefício da facção criminosa Comando Vermelho (CV), Anabela obteve decisão favorável no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para responder ao processo em liberdade provisória.

Apesar de ter saído da prisão preventiva, a ex-servidora da gestão do prefeito David Almeida (Avante) cumpre medidas cautelares impostas pelo Judiciário, entre as quais o monitoramento eletrônico por tornozeleira e a proibição de se ausentar da comarca sem autorização prévia.

No encerramento do relatório policial e na análise das peças pelo Ministério Público, as suspeitas iniciais relativas ao tráfico direto de drogas e corrupção foram descartadas em relação à ex-assessora.

No entanto, as apurações foram mantidas no âmbito do indiciamento por organização criminosa e lavagem de capitais.

À época da deflagração da operação, o prefeito David Almeida manifestou apoio à ex-colaboradora, afirmando confiar no trabalho da Justiça e na inocência da investigada.

A defesa de Anabela Cardoso reitera que ela não possui qualquer ligação com organizações criminosas e sustenta que a inocência da cliente será demonstrada ao longo da instrução processual.

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