A jornada cômica de um ator “bonito demais” para ser levado a sério é ponto de partida de Cansei de Ser Belo, novo texto de Emílio Boechat, com direção de Kleber Montanheiro e com os atores Fernando Pavão, Erica Montanheiro, Wilson de Santos e Marcelo Goes no elenco. A comédia é produzida por Boechat e Marília Toledo. O espetáculo tem sua temporada de estreia de 3 de outubro a 22 de novembro, no Teatro YouTube (na Galeria Magalu), com apresentações às sextas e aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h.
O autor Emílio Boechat conta que teve a ideia para escrever o texto depois de assistir à leitura de uma peça que tinha como protagonista um galã bem conhecido das novelas. “Pensei: por que esse homem tão bonito e bem sucedido ainda se dá ao trabalho de fazer teatro? Foi então que eu lembrei que, segundo o filósofo Henri Bergson, a vaidade é o ‘vício cômico’ mais engraçado. A partir disso decidi escrever sobre a vaidade de uma perspectiva diferente”, revela.
A trama acompanha a jornada de Rodrigo Contreiras (Fernando Pavão), o homem que todo brasileiro conhece, o galã absoluto das novelas, um rostinho que as marcas exploram para vender qualquer tipo de produto. Mas, por trás do sorriso de porcelana, ferve uma crise existencial: cansado de ser apenas um “corpo sarado com milhões de seguidores”, ele decide destruir sua imagem de perfeição para ser levado a sério pela crítica especializada. Ele escolhe fazer uma peça de teatro por um motivo prático: é mais rápido de produzir do que um filme ou uma série.
Sua jornada cômica, a busca obsessiva pelo “prêmio de melhor ator”, se converte em uma descida voluntária ao que, para ele, é o submundo: o teatro alternativo e experimental.Boechat esclarece que a peça não diminui, de forma alguma, o teatro alternativo. “Nossa crítica é voltada às pessoas que buscam o reconhecimento a qualquer preço, que têm uma visão distorcida de quem são e tratam esse teatro experimental como algo menor, que dá trabalho pra quem ‘não é bonito o suficiente pra fazer televisão’”, comenta.
Para a atriz Erica Montanheiro, o humor da peça surge em boa parte do flerte com o absurdo. “O texto cria situações limítrofes nas quais, dificilmente, alguém iria se colocar. Essas situações criam constrangimento e, ao mesmo tempo, um olhar debochado sobre o ‘ser artista’. E é, através desse deboche, que as fragilidades do fazer artístico são expostas. Em um país como o Brasil – que não valoriza os trabalhadores da cultura – cada vez mais os próprios artistas são responsáveis por criar situações para vender sua imagem”, diz.
Sobre seu personagem, o ator Fernando Pavão acrescenta: “Acho que o texto acerta a mão em cheio ao espelhar esse Rodrigo, um ator que precisa desesperadamente de visibilidade e reconhecimento com o tempo em que vivemos hoje, em que muita gente busca isso via o mundo fantástico das redes sociais. Uma comédia deliciosa onde o universo dos atores e seus exageros é primorosamente retratado”.
Já a encenação, de acordo com o diretor Kleber Montanheiro, tem como ponto de partida essa “ideia do jogo cênico da comédia, que é muito característico do Emílio, e caminhar por um lugar um pouco mais surrealista, no sentido do exagero, de criar um espelhamento da sociedade através dessa amplitude”.
Por fim, sobre a cenografia e figurino, Montanheiro diz que a ideia é trabalhar com a simplicidade. “Queremos que a cenografia seja muito simples, mas muito mutante, que tenha elementos que se transformam. Então, eles se transformam numa sala, num escritório, num camarim, quase como um grande contêiner que vai abrindo e dando origem a diferentes espaços físicos. E isso remete um pouco a essa velocidade das redes sociais, quase como uma tela de celular”, comenta.
Sobre Emílio Boechat
Emilio Boechat tem 35 anos de carreira escrevendo para rádio, teatro, cinema, TV e plataformas de streaming. Junto com Marilia Toledo ganhou o Prêmio Bibi Ferreira de Melhor Dramaturgia Original em Musicais (2023) por Ney Matogrosso – Homem com H. Já foi indicado aos prêmios Destaque Imprensa Digital (2023 e 2022), Rio Web Fest (2021), Troféu Mambembe (1998) e APETESP (1991). Ao lado dela, escreveu também os musicais Uma Noite na Broadway, Silvio Santos Vem Aí e Os Dez Mandamentos.
É autor das comédias Camila Backer Lives in concert, Eu era tudo pra ela e ela me deixou; do longa-metragem Barraco de Família e da série A Secretária do Presidente (Multishow/ Mixer). É co-produtor e head-writer da série Camila Baker, premiada pela Lei Paulo Gustavo em 2023.Com Miguel Falabella e Rosana Hermann escreveu a minissérie O Som e a Sílaba e a 2a temporada de O Coro – sucesso aqui vou eu (Disney +) ainda inédita.
Foi head-writer da segunda temporada da série Na Fama, Na Lama (Multishow). Escreveu com Ingrid Guimarães por três anos os roteiros do programa Mulheres Possíveis (GNT). De 2005 a 2020 foi roteirista da Record TV, onde escreveu novelas e minisséries como Bela a Feia, Rebelde e Os Dez Mandamentos.
Sobre Kleber Montanheiro
Multiartista com 30 anos de carreira, Kleber Montanheiro é diretor cênico, cenógrafo, figurinista e artista visual em expografia. Indicado a mais de 25 prêmios (FEMSA, APCA, Shell, Prêmio Bibi Ferreira e Prêmio DID – Destaque Imprensa Digital) em diversas categorias, foi contemplado pela maioria delas.
Destacam-se em sua direção espetáculos como Ópera do Malandro, de Chico Buarque de Holanda; Carmen, a Grande Pequena Notável, de Heloísa Seixas e Júlia Romeu; Nossos Ossos, do livro homônimo de Marcelino Freire e Tatuagem, um musical adaptado do filme de Hilton Lacerda, da qual recebeu diversas indicações ao prêmio Bibi Ferreira e venceu o prêmio APCA como melhor diretor.
Por Carmen, a Grande Pequena Notável, recebeu o Prêmio São Paulo de melhor figurino. Dirigiu, concebeu, criou cenografia e figurinos do musical da Broadway Cabaret, de John Kander e Fred Ebb, que cumpriu temporada no 033 Rooftop, do Teatro Santander – SP recebendo os prêmios Bibi Ferreira de melhor direção e melhor figurino.
Em 2025 dirigiu e concebeu o musical brasileiro original João, indicado a melhor direção nos prêmios Bibi Ferreira, DID e APCA. Em Gal – o musical, assina a direção e o figurino.
Ficha Técnica
Texto: Emilio Boechat
Direção, cenário e figurino: Kleber Montanheiro
Elenco: Fernando Pavão, Erica Montanheiro, Wilson de Santos e Marcelo Goes
Direção de Produção: Marilia Toledo e Emilio Boechat
Serviço
Cansei de Ser Belo, de Emílio Boechat
Temporada: 3 de outubro a 22 de novembro de 2026
Sextas e sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h
Teatro YouTube (Galeria Magalu – Conjunto Nacional) – Av. Paulista, 2073 – Bela Vista, São Paulo
Ingressos: R$120,00 (inteira) e R$60,00 (meia-entrada)
Vendas online: https://www.eventim.com.br/event/cansei-de-ser-belo-teatro-youtube-22035387/
Classificação: livre
Duração: 70 minutos
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida
Sobre o Teatro YouTub
Mais do que um palco, o Teatro YouTube é um polo de criatividade que une o mundo digital ao presencial. Situado no Conjunto Nacional, em São Paulo, dentro da Galeria Magalu, o espaço tem gestão da Aventura Teatros. Além de receber a programação de espetáculos da produtora, o local sediará projetos de criadores de conteúdo elegíveis e de marcas, estimulando a economia criativa e as comunidades de fãs da plataforma. Entre as diversas possibilidades, o espaço oferece estrutura para transmissões ao vivo, gravações de podcasts e eventos de interação com o público. O Teatro YouTube também acolhe projetos institucionais, como o YouTube Music Nights, uma série de shows intimistas lançados de forma exclusiva nos canais dos artistas convidados.
Sobre a Aventura
Fundada em 2008, e liderada por Aniela Jordan, diretora artística e produção geral, Luiz Calainho, diretor de marketing e negócios, e por Giulia Jordan, diretora geral de venues, a Aventura é referência na produção de espetáculos de altíssima qualidade, que tornou o mercado de teatro musical um dos principais segmentos da economia criativa no Brasil. A empresa se estabeleceu como uma grande aliada da multiplicidade artística, fundamental para o desenvolvimento social, econômico e cultural. A sua missão é transformar grandes ideias em realidade, criando fortes conexões entre marcas e projetos.
São mais de 40 produções, de espetáculos inéditos e de versões da Broadway, como “Elis, a musical”, “A Noviça Rebelde”, “Mamma Mia”, “Hair” “Sete”, “O Mágico de Oz”, “SamBRA”, “Chacrinha, o musical”, “Romeu & Julieta, ao som de Marisa Monte”, “Merlin e Arthur, um sonho de liberdade” e o infantil “Zaquim”. Em 2022, a produtora inovou com o primeiro musical em formato de série do país, o “Vozes Negras – A Força do Canto Feminino”, e com o musical “Seu Neyla”, apresentado em dois palcos com o uso da internet para criar uma experiência diferenciada no espectador, além de estrear uma parceria com a Disney – Pixar com o espetáculo “Pixar in Concert”. Com o objetivo de democratizar o acesso à cultura, criou a Cia Stone de Teatro, projeto de teatro itinerante no interior do Brasil e é a responsável pela produção da Cia de Ballet Dallal Achcar. Ao todo, foram mais de 3,8 mil apresentações e cerca de 4,5 milhões de espectadores, mais de 16 mil empregos diretos e indiretos gerados, números que não param de crescer.





