Uma nova troca de acusações entre o Governo do Estado do Amazonas e a Prefeitura de Manaus movimentou o cenário político da saúde pública nesta semana. Em resposta a uma nota de repúdio emitida pela gestão municipal, o Secretário Estadual de Saúde, Dr. Luís Alberto Saraiva, gravou um pronunciamento público no qual rebateu ponto a ponto as críticas recebidas.
Durante o pronunciamento, Saraiva classificou como inverídicas as alegações de que o Estado estaria inadimplente com prestadores de serviço. De acordo com o secretário, a atual gestão estadual já repassou mais de R$ 383 milhões às empresas médicas que atuam tanto na capital quanto nos municípios do interior.
O titular da pasta da Saúde também rebateu as declarações de que não teriam sido construídos novos hospitais no estado. Ele destacou a entrega do Hospital Dia e da Policlínica ZS (Zona Sul), ressaltando que a gestão anterior havia deixado apenas a “pedra fundamental” da obra, sem concluí-la em três anos. Saraiva citou ainda avanços na rede especializada, como o TEA Juventude e a previsão de entrega do novo CAIC TEA da Zona Sul.
Lotação nos Prontos-Socorros e ranking estadual
Um dos pontos centrais da fala do secretário foi a justificativa para a sobrecarga registrada nos prontos-socorros estaduais. Apresentando dados da Classificação de Risco de Manchester, Saraiva revelou que mais de 60% dos atendimentos realizados nas urgências do Estado são classificados como “Pouco Urgentes” — perfil de demanda que deveria ser absorvido pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município.
Para embasar a crítica, o secretário citou o ranking de desempenho da Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde. Segundo os dados apresentados, Manaus ocupa atualmente a 60ª posição entre os 62 municípios do Amazonas no indicador de cobertura básica, ficando à frente apenas dos municípios de Canutama e Japurá.
Até o momento do fechamento desta edição, a Prefeitura de Manaus não havia emitido nova tréplica sobre os dados apresentados pelo secretário.





