A temporada de arranjos políticos do segundo turno no Amazonas segue revelando profundas reviravoltas e contradições nos bastidores. Enquanto as chapas estaduais tentam consolidar apoios decisivos para a reta final, os movimentos locais já miram o tabuleiro de 2028 e escancaram alianças pragmáticas que misturam o presente e o futuro da política baré.
O exemplo mais recente veio à tona com a declaração oficial de apoio do delegado Paulo Mavignier à candidatura de Omar Aziz (55) ao Governo do Estado. O detalhe que movimentou os bastidores e chamou a atenção dos analistas foi o fato de o apoio ter sido anunciado publicamente “ao lado de Eurico Tavares”.
O tabuleiro municipal e o nó da aliança
Eurico Tavares é apontado nos bastidores da política como pré-candidato a prefeito de Manaus pelo PSD, com o claro objetivo de se posicionar para disputar contra a tentativa de reeleição do atual prefeito Renato Jr. (Avante).
A articulação, no entanto, esbarra em um nó górdio de conveniências: o próprio prefeito Renato Jr. é aliado de primeira hora do senador Omar Aziz.
Ver figuras ligadas ao arco de influência do grupo que projeta Eurico para a Prefeitura de Manaus caminhando lado a lado com Omar no presente evidencia como a disputa pelo Palácio Rio Negro atropela — e ao mesmo tempo redefine — os projetos para a cadeira principal da capital.
Entre acenos estratégicos e a busca por capilaridade eleitoral, a benção de nomes expressivos ao projeto de Omar Aziz mostra que, na política do Amazonas, as rivalidades municipais e os palanques estaduais vivem em uma linha tênue de conveniência, onde o futuro da sucessão em Manaus já começou a ser jogado.





