Dia Mundial da Trombose: diagnóstico precoce e prevenção são fundamentais para evitar complicações graves

Dados do Ministério da Saúde apontam mais de 350 mil atendimentos ambulatoriais relacionados à doença no SUS até julho de 2026; condição pode evoluir para complicações como a embolia pulmonar

Foto: Divulgação / bpmcom

Celebrado em 13 de outubro, o Dia Mundial da Trombose reforça a importância da prevenção, do reconhecimento dos sinais de alerta e do diagnóstico precoce da doença, que pode comprometer a circulação sanguínea e provocar complicações graves, como a embolia pulmonar. Dados do Ministério da Saúde apontam que, em 2025, foram registrados 644.327 atendimentos ambulatoriais relacionados à trombose no Sistema Único de Saúde (SUS). De janeiro a julho de 2026, foram contabilizados outros 352.411 atendimentos. Os números correspondem à quantidade de atendimentos realizados, e não ao total de pacientes, já que uma mesma pessoa pode ser atendida mais de uma vez no período.

Em relação às internações, o SUS registrou 10.291 em 2025 e outras 5.329 entre janeiro e julho de 2026. Os dados consideram os registros de atendimentos e internações de pacientes do sexo feminino e masculino. O sistema público oferece assistência conforme as características e a gravidade de cada caso, incluindo avaliação clínica, definição do tratamento e encaminhamento para atendimento especializado, quando necessário. Para situações que exigem assistência vascular especializada, há unidades habilitadas em Alta Complexidade Cardiovascular.

A trombose ocorre quando um coágulo sanguíneo se forma dentro de um vaso, dificultando ou impedindo a circulação. Na trombose venosa profunda (TVP), esse processo geralmente atinge as veias das pernas. Entre os principais sinais estão inchaço em uma das pernas, dor ou sensibilidade local, sensação de calor e vermelhidão na região afetada. Em alguns casos, porém, a doença pode não apresentar sintomas evidentes.

Uma das complicações mais graves é o tromboembolismo pulmonar (TEP), que ocorre quando um coágulo, geralmente originado nas veias profundas, chega aos pulmões e obstrui parte da circulação sanguínea. O quadro pode provocar falta de ar súbita, dor no peito, aceleração dos batimentos cardíacos, tosse com sangue e, nos casos mais graves, insuficiência respiratória e parada cardiorrespiratória.

O diagnóstico depende da avaliação clínica, considerando o histórico do paciente, os fatores de risco e os sinais e sintomas apresentados. Exames laboratoriais e de imagem auxiliam na investigação e na confirmação da doença. Entre eles está o ultrassom Doppler venoso, utilizado para identificar coágulos nas veias e avaliar o fluxo sanguíneo.

“A investigação da trombose precisa levar em conta o quadro clínico de cada paciente, já que os sintomas podem variar e nem sempre são evidentes. Os exames laboratoriais, como o D-dímero, e os exames de imagem ajudam a esclarecer a suspeita e orientam a conduta médica. Quando esses recursos são utilizados de forma adequada, é possível agilizar a tomada de decisão e iniciar o tratamento no momento indicado, reduzindo o risco de complicações “, explica o Dr. Tiago Silva, diretor médico da Werfen Brasil.

Diagnóstico laboratorial 

Em determinadas situações, como episódios recorrentes de trombose, ocorrência em pacientes jovens ou formação de coágulos em locais menos comuns, o médico pode considerar uma investigação adicional para identificar fatores que aumentem a predisposição à doença. Entre as possibilidades está a pesquisa de trombofilias, condições hereditárias ou adquiridas associadas a uma maior tendência à formação de coágulos sanguíneos.

A investigação pode incluir testes para avaliação de proteínas envolvidas na coagulação, como proteína C, proteína S e antitrombina, além da pesquisa da mutação do fator V de Leiden e de exames para identificação de condições adquiridas, como a síndrome antifosfolípide. A indicação e a interpretação desses exames devem considerar o quadro clínico de cada paciente.

A Werfen oferece soluções laboratoriais voltadas à avaliação da hemostasia, incluindo testes que auxiliam na investigação de alterações relacionadas à coagulação sanguínea.

Entre os exames utilizados na investigação do tromboembolismo venoso, o D-dímero é um biomarcador que auxilia na avaliação da formação e degradação de coágulos. Quando associado à avaliação clínica e aos protocolos diagnósticos adequados, um resultado negativo pode ajudar a excluir trombose venosa profunda e embolia pulmonar em pacientes com baixa ou moderada probabilidade clínica, conforme os critérios médicos aplicáveis.

Como prevenir e tratar 

A prevenção da trombose envolve a identificação dos fatores de risco e a adoção de medidas que favoreçam a circulação sanguínea. Evitar longos períodos de imobilidade, levantar-se e caminhar regularmente, movimentar as pernas durante períodos prolongados sentado, praticar atividade física e manter hábitos saudáveis são algumas das recomendações. A hidratação adequada também é importante, especialmente em situações de maior exposição à desidratação.

Pessoas com histórico de trombose, cirurgias recentes, internações, mobilidade reduzida, câncer, obesidade ou outros fatores de risco devem conversar com um profissional de saúde sobre as medidas preventivas mais adequadas. O uso de meias de compressão e de medicamentos anticoagulantes pode ser indicado em situações específicas, sempre mediante avaliação médica.

O tratamento depende da localização do coágulo, da gravidade do quadro e das condições clínicas do paciente. Em muitos casos, são utilizados anticoagulantes, que ajudam a impedir o crescimento do coágulo e a formação de novos trombos. Em situações selecionadas, podem ser necessários procedimentos específicos, como a trombólise, que utiliza medicamentos para dissolver coágulos, ou intervenções vasculares.

No SUS, a assistência inclui procedimentos para o tratamento da trombose venosa profunda e, em situações específicas, a colocação percutânea de filtro de veia cava, recurso que pode ser indicado para reduzir o risco de coágulos alcançarem os pulmões quando há indicação clínica.

Por que viagens longas aumentam o risco? 

A permanência prolongada na mesma posição pode reduzir a circulação sanguínea nas pernas e contribuir para o aumento do risco de trombose, especialmente em pessoas que já apresentam outros fatores predisponentes. Por isso, viagens longas de avião, ônibus ou carro exigem atenção, principalmente entre pessoas com histórico da doença, cirurgias recentes, mobilidade reduzida ou outras condições associadas a maior risco trombótico.

Durante o trajeto, recomenda-se movimentar os pés e as pernas regularmente e, quando possível e seguro, levantar-se para caminhar. Exercícios simples, como elevar os calcanhares e depois as pontas dos pés, ajudam a estimular a movimentação das pernas durante o período sentado. Em pessoas com risco aumentado, a necessidade de medidas preventivas adicionais deve ser avaliada individualmente por um profissional de saúde.

Contracepção e risco trombótico 

O uso de anticoncepcionais hormonais também merece atenção na discussão sobre prevenção. Métodos combinados que contêm estrogênio estão associados ao aumento do risco de tromboembolismo venoso, embora a probabilidade varie conforme a formulação e as características individuais da mulher.

O risco pode ser maior quando existem outros fatores associados, como histórico pessoal ou familiar de trombose, tabagismo, obesidade ou determinadas condições clínicas. Isso não significa que todas as mulheres que utilizam anticoncepcionais desenvolverão a doença, mas reforça a importância da avaliação individualizada antes da escolha do método contraceptivo.

A orientação médica permite considerar o histórico de saúde, os fatores de risco e as opções disponíveis para identificar o método mais adequado a cada paciente. A suspensão ou a troca de um anticoncepcional deve ser discutida com um profissional de saúde.

Ação de conscientização na Avenida Paulista

No dia 16 de outubro, a Sociedade Brasileira de Trombose e Hemostasia (SBTH), em parceria com o Centro de Doenças Tromboembólicas do Hemocentro da Unicamp (CDT), realizará uma ação de conscientização na Avenida Paulista, em São Paulo, das 10h às 14h. Em linha com o mote global da campanha “Mova-se contra a trombose”, a iniciativa reforça a importância da prevenção e mostra como pequenos movimentos podem contribuir para reduzir os riscos da doença.

A ação acontecerá em uma área na entrada do prédio da FIESP, em frente a um dos acessos da estação de metrô Trianon-MASP. A programação inclui avaliação de risco para trombose, orientação médica personalizada e distribuição de material educativo. Profissionais de saúde estarão disponíveis para esclarecer dúvidas, realizar avaliações de risco e, quando necessário, encaminhar casos que necessitem de acompanhamento médico.

Sobre a Werfen

Líder global em diagnósticos especializados, a Werfen é referência nas áreas de Hemostasia, Acute Care Diagnostics (diagnóstico rápido e preciso de pacientes em estado crítico), Transfusão, Autoimunidade e Transplante. Fundada em 1966, em Barcelona, na Espanha, a companhia está presente diretamente em mais de 30 países — incluindo o Brasil — e atua em mais de 100 por meio de uma ampla rede de distribuidores.

Com soluções voltadas a laboratórios clínicos e hospitalares, a empresa oferece analisadores, reagentes e softwares inovadores que apoiam a tomada de decisões clínicas, contribuindo para tratamentos mais eficazes e centrados no paciente.

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