Governo Federal instala comando militar em Manaus para combater queimadas e apurar crimes

Dominado pelo agravamento da poluição atmosférica em função da presença cada vez mais ostensiva da fumaça encobrindo toda a cidade de Manaus, o fim de semana também foi marcado por uma mudança estratégica no combate às queimadas na capital, em seu entorno e em todo o interior do estado.

A principal transformação no enfrentamento às queimadas foi a criação do Estado-Maior Conjunto pelo Governo Federal, em reunião realizada neste domingo entre o governo do Amazonas e os quatro ministros que vieram a Manaus para dar solução à crise e intensificar o combate às queimadas.

Os ministros João Paulo Capobianco, do Meio Ambiente e Mudança do Clima; Wellington César Lima e Silva, da Justiça e Segurança Pública; José Múcio Monteiro, da Defesa; e Waldez Góes, da Integração e Desenvolvimento Regional, desembarcaram em Manaus na manhã de domingo para buscar soluções para o problema. No final do dia retornaram a Brasília.

A atuação coordenada entre Exército, Marinha e Aeronáutica no combate às queimadas foi a principal decisão e novidade anunciada. “O fato é: as Forças Armadas vão entrar fortemente e todo o governo federal vai apoiar em tudo o que for necessário”, afirmou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César.

“O ministro da Saúde também está acompanhando de perto o aumento dos índices e qual será a necessidade de reforço e o tipo de demanda para o tipo de demanda sanitária que viera ocorrer”, declarou Wellington César. O ministro afirmou que, nesta terça-feira, será instalada em Manaus a base nacional do SUS, a exemplo do que vai ocorrer com o Estado-Maior das Forças Armadas.

A instalação do Estado-Maior das Forças Armadas em Manaus tem como consequência imediata que todas as decisões referentes à mitigação da crise serão tomadas no Amazonas, sem a necessidade de consultar Brasília. A ideia é conferir maior eficácia às operações, com menor tempo de resposta e maior capacidade de resolução.

Ao detalhar o reforço operacional, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, informou que 16 aeronaves estão à disposição das operações. Também está sendo incorporado equipamento para o lançamento aéreo de caixas com capacidade para mil litros de água, ampliando os recursos empregados no combate aos focos de incêndio.

PRÁTICAS CRIMINOSAS

A investigação de práticas criminosas, inclusive com suspeita de motivação política, será realizada pelos ministérios da Defesa e da Justiça e Segurança Pública. Nesse ponto, a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foram integradas aos trabalhos já realizados pelo governo do Amazonas.

“Há pelo menos três inquéritos em andamento, de maneira sigilosa. A motivação, a autoria e a materialidade só podem ser constatadas depois. Ao fim, vamos ter a conclusão”Wellington César Lima e Silva, Ministro da Justiça e Segurança Pública

O presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Jair Schmitt, declarou nesta segunda-feira que a guerra política nas redes incentiva incêndios criminosos na Amazônia.

Informações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam um crescimento de de 416,9% no número de focos de calor após o primeiro turno das eleições, o que aumenta a suspeita de motivação política para as queimadas criminosas. Somente entre 4 e 16 de outubro, o número acumulado de focos de calor passou de 354 para 1.476.

As investigações em curso incluem perícias em campo e análise de imagens de satélite para auxiliar na identificação de responsáveis e na compreensão das circunstâncias dos focos de incêndio. A atuação investigativa ocorrerá paralelamente às medidas emergenciais de enfrentamento aos danos. A estratégia é apurar eventuais crimes sem deixar de priorizar o atendimento à população e o combate aos incêndios.

“Mas o fundamental aqui é apoiar a população do Amazonas e de Manaus. Este é o sentido e o governo federal dará uma atenção integral. Todas as áreas do governo estão empenhadas neste propósito. O que for determinado e aquilo que for necessário, nós apoiaremos, de recursos e de toda ordem”, garantiu o ministro Wellington César.

Projetos somam R$ 100 milhões

O senador reeleito Eduardo Braga (MDB), que participou das reuniões realizadas ao longo do domingo, informou que o ministro Waldez Góes anunciou que já está em posse de projetos elaborados no montantes de mais de R$ 100 milhões para apoio ao governo do estado e aos municípios envolvidos.

“Portanto, além dos R$ 14 milhões, o presidente Lula determinou que todos os recursos fossem mobilizados para socorrer o estado do Amazonas e os demais estados. Isso não está acontecendo só no Amazonas. O Amazonas tem sido uma grande vítima, principalmente a cidade de Manaus, mas esses focos de incêndio não estão acontecendo apenas no Amazonas”, declarou o senador.

Braga destacou que o resultado de toda a movimentação do fim de semana, ocasionada pelo agravamento da crise, é que o governo federal deu uma pronta resposta a partir do acionamento realizado no sábado por ele.

“Falei com o presidente Lula, falei com a ministra Míriam [Belchior, da Casa Civil], falei com o ministro Múcio e hoje eles já estão aqui na cidade de Manaus demonstrando a responsabilidade do governo federal para com uma causa tão importante como essa”, disse o senador.

O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) já disponibilizou R$ 14 milhões ao Governo do Amazonas para ações relacionadas à situação de emergência. O recurso foi aprovado após o reconhecimento da emergência decretada pelo governo estadual.

Segundo o ministro Waldez Góes, equipes do MIDR estão auxiliando o estado e as prefeituras na elaboração de projetos e planos de trabalho para viabilizar novos repasses. Os documentos apresentados somam quase R$ 100 milhões e estão em análise pelo ministério.

O ministro explicou que a expectativa é ampliar significativamente os recursos destinados ao combate aos incêndios, conforme a análise e a aprovação dos planos apresentados. Os novos repasses se somarão aos R$ 14 milhões já disponibilizados e ao emprego das Forças Armadas e de órgãos como Ibama e Defesa Civil Nacional.

O apoio financeiro será direcionado às necessidades apresentadas pelo governo estadual e pelas prefeituras, com o objetivo de fortalecer a capacidade de resposta local à emergência.

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