PL reconhece derrota, mas Flávio Bolsonaro rejeita urnas e exige cancelamento da eleição

Imagem Poder 360

BRASÍLIA — O Partido Liberal (PL) reconheceu formalmente, nesta segunda-feira (26), o resultado das eleições presidenciais que decretaram a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No entanto, o candidato derrotado, Flávio Bolsonaro (PL), subiu o tom: recusou-se a aceitar o pleito, atacou o Judiciário e anunciou que vai acionar a Justiça Eleitoral para tentar anular a votação e cassar a chapa do presidente reeleito.

Em nota oficial assinada pelo presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, o PL declarou que acata a proclamação oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas ressalvou que “questionamentos levantados precisam ser devidamente esclarecidos dentro de um debate político equilibrado e democrático”.

Flávio ataca Zanin e pede anulação do pleito
A postura ponderada do partido contrasta com a reação veemente do próprio candidato. Em pronunciamento e vídeo divulgados nesta segunda-feira, Flávio Bolsonaro alegou supostos abusos de poder e irregularidades no processo.

“O que ele fez foi um abuso do poder político e econômico sem precedente (…). Eu vou pedir sim a cassação da chapa do Lula por todos os abusos que ele cometeu”, declarou o senador.

O principal alvo das críticas de Flávio foi a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, que atendeu a um pedido e estendeu por duas horas o horário de votação no domingo (25). O candidato do PL classificou a medida como “inaceitável” e acusou uma “quebra total de isonomia” entre os eleitores.

Contudo, dados do próprio tribunal desmentem o impacto alegado: a extensão de horário gerou apenas 35.521 votos adicionais em todo o país — número irrelevante diante da vantagem de 4,4 milhões de votos garantida por Lula na apuração total (64,2 milhões contra 59,8 milhões). Além disso, a extensão no horário de votação havia sido solicitada pela própria campanha do senador em diversos municípios de Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Fake news sobre fiscais e aval do TSE
Flávio Bolsonaro também voltou a alimentar desconfianças ao afirmar que fiscais do seu partido teriam sido expulsos da sala-cofre do TSE durante a contagem de votos. A informação foi desmentida no ato pela Corte Eleitoral, que esclareceu que o local é restrito e que os representantes do PL acompanharam todo o processo de totalização na área reservada e apropriada para a fiscalização.
Apesar da contestação do candidato derrotado, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques — indicado ao cargo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro —, ratificou a lisura do pleito logo após a confirmação do resultado, garantindo ter “absoluta segurança de todo o processo eleitoral”.

Com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio, Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito para o seu quarto mandato no Palácio do Planalto.

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