Festival Chaguinhas celebra neste domingo (8) história preta e indígena, na Liberdade

Evento gratuito reúne jongo, ato inter-religioso, cortejo, almoço e grupos culturais na Capela dos Aflitos, em homenagem ao soldado morto em 1821 e ao Cemitério dos Aflitos

Foto: Camila Quaresma

A União dos Amigos da Capela dos Aflitos (UNAMCA) realiza no domingo (8), a partir das 9h30, o Festival Chaguinhas, que celebra a história preta no bairro da Liberdade. Com apoio da Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa, e de Fomento da Secretaria de Cultura do Estado, a programação acontece em frente a Capela Nossa Senhora dos Aflitos, restaurada e reaberta em julho deste ano.

A abertura traz uma intervenção cultural de Jongo em memória de Chaguinhas, seguido por uma celebração inter-religiosa, às 9h50. Depois, grupos culturais e tradicionais, entre eles sambistas e congadeiros, se apresentam. Às 13h, um cortejo sai da capela em direção à Igreja de São Gonçalo Garcia, com a participação de comunidades, lideranças, grupos culturais e do público. A celebração termina com um almoço de confraternização.

O festival integra o projeto “Antirracismo em Ação: Plano Anual de Atividades Educativas e Culturais do Museu dos Aflitos”, selecionado no Edital PNAB nº 22/2025.

A comemoração é uma homenagem ao soldado Francisco José das Chagas, conhecido como Chaguinhas, morto em 1821 por lutar pela igualdade entre pretos e brancos. Líder da revolta do Primeiro Batalhão do Regimento de Caçadores, foi enterrado no antigo Cemitério dos Aflitos, onde eram sepultadas pessoas condenadas à morte, pobres, indígenas e pessoas escravizadas. O terreno abrangia o atual bairro da Liberdade, o Glicério e parte da Radial Leste.

No centro do Cemitério ficava a Capela dos Aflitos, que existe até hoje e onde Chaguinhas esteve preso até a morte. Segundo relatos, no dia da execução a corda se rompeu três vezes e o público pediu “liberdade” ao condenado, uma das versões para a origem do nome do bairro. Mesmo assim, as autoridades o espancaram até a morte.

Com o tempo, o Cemitério foi desativado, casas e prédios foram construídos e, mais tarde, a chegada dos imigrantes japoneses trouxe novos comércios à região. A história de Chaguinhas e da população preta do bairro foi, em parte, esquecida, e, em parte, preservada pela Capela e pelos coletivos do território. Fiéis seguiram frequentando o local e deixando pedidos e recados na porta da “cela” onde ele esteve preso. O espaço foi reformado para receber mais pessoas e manter essa tradição.

Serviço

Atração: Festival Chaguinhas
Quando: domingo (8), das 9h30 às 15h
Onde: Rua dos Aflitos, 70, Liberdade, São Paulo
Programação:

  • 09h30 às 09h50 – Intervenção Cultural em Memória de Chaguinhas e do nossos ancestrais no Cemitério dos Aflitos;
  • 09h50 às 11h20 – Celebração/Ato Inter-Religioso em Memória de Chaguinhas e do nossos ancestrais no Cemitério dos Aflitos;
  • 11h20 às 13h00 – Intervenção Cultural em Memória de Chaguinhas e do nossos ancestrais no Cemitério dos Aflitos (apresentações de 5 grupos culturais e tradicionais com tempo estimado de 15 minutos cada);
  • 13h00 às 13h30 – Cortejo Cultural, com saída da Capela dos Aflitos em direção à Igreja de São Gonçalo Garcia, com participação das comunidades, grupos culturais, lideranças e público presente;
  • 13h30 às 15h00 – Almoço de confraternização na chegada à Igreja de São Gonçalo Garcia.

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