Prefeitura de Manaus realiza ‘Dia D’ de vacinação contra o sarampo e mobiliza adultos e crianças na capital 

A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), intensificou as ações de prevenção ao sarampo no município e promoveu, neste sábado, 7/11, o “Dia D” de vacinação contra o sarampo. A campanha tem como objetivo evitar que a doença volte a circular na capital amazonense, uma vez que, nos últimos dois meses, 23 casos foram confirmados em municípios do Alto Solimões, na região da tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia.

A mobilização é voltada para crianças e adultos de 1 a 59 anos não vacinados ou que não completaram o esquema vacinal contra a doença. Embora Manaus não tenha registrado nenhum caso recente de sarampo, o esforço da secretaria visa elevar a cobertura vacinal em todas as faixas etárias e ampliar a proteção coletiva.

No total, 10 Unidades de Saúde da Família (USFs) funcionaram neste sábado para receber o público e duas – Carmen Nicolau (Lago Azul, zona Norte) e Leonor de Freitas (Compensa 2, zona Oeste) – seguem de portas abertas também neste domingo, 8/11, para vacinar pessoas de todas as idades que precisam iniciar ou completar a proteção contra o sarampo.

A secretária municipal de Saúde, Shádia Fraxe, acompanhou a vacinação na USF Leonor de Freitas e chamou a atenção para o cenário atual do sarampo nas Américas. “É de extrema importância que façamos a conscientização da população em relação ao sarampo, que já havia sido eliminado no país e agora volta, trazendo uma grande preocupação.

A gestora frisou que o último caso de sarampo, com transmissão local, ocorreu em 2018, quando o município viveu um surto com mais de 7 mil notificações da doença. Ela também orientou os que pretendem viajar para regiões com circulação do vírus, especialmente destinos internacionais com registro de casos, como Canadá, Estados Unidos, México, Bolívia, Peru e Paraguai, a estarem atentos à imunização, evitando sair do país sem as doses recomendadas.

“O sarampo é uma doença altamente contagiosa, transmitida de pessoa a pessoa por via oral, ou seja pela tosse, espirro ou fala, que pode ser grave e levar a óbito se não for identificada e tratada a tempo”, alertou Shádia.

Os casos notificados recentemente no Amazonas estão distribuídos nos municípios de Atalaia do Norte, Benjamin Constant, São Paulo de Olivença e Tabatinga, de acordo com a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), que monitora os casos em todo o estado. Nessa região, a doença atingiu pessoas com nacionalidade brasileira e peruana, sendo que 83% delas não tinham sido vacinadas.

O médico Max Morier foi um dos pais que aproveitaram o “Dia D” para vacinar os filhos. Pai do pequeno Matheus, de 4 anos, que recebeu a dose que precisava contra o sarampo, ele destacou a importância da imunização para todos. ”A vacinação é importante porque cria imunidade e protege contra as doenças e as consequências da doença. Protege o indivíduo e, além disso, protege a comunidade, porque você imunizando uma criança, ela já passa a não transmitir para outras, o que gera uma imunidade na população de maneira geral”.

Eudes Dutra, que atua como Encarregado de Argamassa, levou a filha Nicole para conferir o cartão de vacinação, que estava completo. Ele e a esposa, Maria Gisele, ganharam parabéns da equipe de saúde e ele aproveitou para atualizar as próprias doses contra o sarampo e contra a febre amarela. Imunizado, Eudes disse que é essencial manter a vacinação em dia. “Quem ainda não veio, traga seus filhos e, se for adulto, venha tomar a vacina que é necessária para a nossa saúde”.

 

Esquema vacinal

A gerente de Imunização da Semsa, Isabel Hernandes, que também esteve na USF Leonor de Freitas neste sábado, informou que, para os recém-nascidos, a primeira dose, feita com a vacina tríplice viral, deve ocorrer aos 12 meses de idade, e a segunda, com a tetraviral, aos 15 meses. De acordo com Isabel, Manaus tem um índice de 99% de cobertura vacinal com a primeira dose. No entanto, apenas 83% dessas crianças voltaram para receber a segunda.

“A meta da Semsa Manaus é alcançar, no mínimo, 95% de cobertura com as duas doses, conforme recomenda o Ministério da Saúde, e estamos trabalhando diariamente para isso, inclusive com monitoramento e busca ativa de pessoas não vacinadas em todas as regiões da cidade”, disse.

Crianças com mais de 1 ano e jovens de até 29 anos devem receber duas doses de vacina contendo o componente contra o sarampo, respeitando o intervalo mínimo de 30 dias entre elas. Para adultos de 30 a 59 anos, é necessário pelo menos uma dose. Isabel ressaltou que apenas gestantes e pessoas imunossuprimidas não devem receber a vacina.

As vacinas contra o sarampo (incluindo as versões tríplice viral e tetraviral) estão disponíveis ao longo de todo o ano nas mais de 170 salas de vacina da rede municipal de saúde. É fundamental que os pais levem suas crianças para se vacinar e permaneçam atentos aos intervalos de todas as vacinas recomendadas no Calendário Nacional de Imunização.

“A recomendação é que os pais verifiquem o cartão de vacinação dos filhos e confiram também a sua situação vacinal e, caso haja doses em atraso, procurem, neste domingo ou ao longo da semana, uma unidade de saúde”, orientou a gerente.

Para receber a vacina, o usuário deve apresentar documento de identificação, CPF ou o Cartão Nacional de Saúde (Cartão SUS) e, se possível, a caderneta de vacinação.

Altamente contagiosa

Os principais sintomas do Sarampo incluem febre, manchas vermelhas pelo corpo (chamadas de exantemas), tosse, coriza e conjuntivite. Com o agravamento, a doença pode provocar complicações sérias, como infecções respiratórias, pneumonia e encefalite, podendo levar à morte.

Pessoas que apresentem febre e os exantemas, especialmente quando acompanhados de sintomas respiratórios, devem procurar atendimento em uma unidade de saúde, informando a equipe sobre possíveis viagens recentes ou contato com pessoas que tiveram os mesmos sintomas.

A recomendação é evitar contato com outras pessoas enquanto houver suspeita da doença, utilizar máscara durante o deslocamento ao serviço de saúde e seguir as orientações dos profissionais. Nos casos suspeitos ou confirmados, o isolamento deve ser mantido até quatro dias após o aparecimento das manchas vermelhas, conforme avaliação e orientação da equipe de saúde.

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