O Festival Literário para as Infâncias Curumins encerrou sua primeira etapa divulgando o resultado do concurso literário que envolveu crianças do bairro Puraquequara, zona leste de Manaus. O concurso foi uma das atividades promovidas pelo projeto que levou ao bairro literatura, música, dança, circo, formação pedagógica, além de muito conhecimento e diversão.
O Concurso Literário Curumins teve como principal objetivo incentivar a criatividade e o protagonismo infantil por meio da produção textual em diferentes gêneros literários e abrangeu crianças de 7 a 12 anos. Os vencedores foram as crianças Angelina Silva, da Escola Municipal São Sebastião; Giovana Rocha, da Escola Municipal Monte Horebe e Emanuel Souza, da Escola Municipal João Paulo II.
Para a idealizadora do projeto, a atriz e produtora cultural Ana Cláudia Motta, mais do que premiar um vencedor, o concurso literário teve como proposta despertar no aluno o interesse pela escrita, leitura e conhecimento.
“A ideia do concurso dentro do festival foi estimular as crianças a usarem a imaginação, trabalhar a leitura e a escrita. Assim, nascem as poesias, os poemas, as músicas, o teatro. É na infância que despertamos esse interesse e trazemos para a vida adulta. O resultado foi extremamente espetacular”, comentou Ana Cláudia.
Nesta primeira fase, durante um dia o Puraquequara se tornou palco
para o projeto Festival Literário para as Infâncias Curumins, no dia 26/02. Durante todo o dia ocorreu um sarau lúdico, com a participação das crianças atendidas pelo projeto e atores contadores de história. No período da manhã, na Escola Municipal João Paulo II, ocorreram as atividades pedagógicas incluindo o lançamento de livros da autora Narda Telles, a distribuição gratuita desses livros e sessão de autógrafo. No período da tarde, foram realizadas as atividades artísticas.
Mitos Amazônicos
Para a escritora Narda Telles o festival literário levou a literatura até as crianças de forma viva, próxima e acolhedora. A autora compartilhou suas obras com temática amazônica.
“Percebi que, quando as crianças têm contato com histórias que falam da própria cultura, elas se identificam mais, se interessam e se aproximam da leitura com entusiasmo.Ver as crianças da Puraquequara reconhecendo sua cultura nos livros mostra como é importante fortalecer esse vínculo com a leitura, com a identidade e com as nossas raízes amazônicas”, afirmou.
Escrita Criativa
À frente da oficina de escrita criativa, a professora Elaine Andreatta destacou as possibilidades de diálogo com diferentes linguagens artísticas durante o festival.
“A iniciativa encampada pelo festival, levou cultura literária e artística a um território para além do Centro, e também foi capaz de mobilizar diferentes arte-educadores em um dia festivo que celebrou a cultura local”, afirmou.
A oficina de escrita criativa brincou com a linguagem poética, explorando rima, sonoridade e sentidos. Os alunos do 4º e 5º anos do Ensino Fundamental produziram parte de um livro ilustrado, tornando-se autores e ilustradores, com criatividade e imaginação.
Literatura Lúdica
Autora de livros com temática infantil, Franciná Lira participou de um momento de aproximação dos leitores com as autoras, para que as crianças conhecessem quem criou as aventuras literárias que eles estavam conhecendo.
“Ser uma das escritoras a participar desse projeto me enche de orgulho, pois meu livro foi escolhido entre tantos maravilhosos. Eu pude assistir o meu livro ser apresentado aos pequeninos de forma lúdica e com a participação deles e isso é gratificante, pois vi o quanto a equipe do projeto se empenhou em fazer um excelente trabalho”, compartilhou.
Direito para todos
Para a escritora Lucila Bonina participar do festival, foi antes de tudo, uma grande alegria, por acreditar que a literatura é um direito de todas as pessoas porque responde à necessidade do ser humano por criatividade, imaginação e encontro com outras possibilidades de entendimentos de mundo.
“Quando os livros são apresentados como objetos culturais acompanhados de seus criadores, no caso nós autoras, numa experiência lúdica, dinâmica, há um encontro diferente entre a leitura e as crianças, muito diferente do que a escola tem proporcionado. Eu realmente acredito que isso tem grande potência”, destacou.
Experiência Inesquecível
A escritora Liz Valente, destacou o dia de atividades com uma forma de oportunizar a convivência, apresentar os autores aos pequenos leitores e mostrar que é possível criar, produzir literatura a partir de suas vivências e mais que isso, que essas experiências podem ser atrativas para outros olhares.
“O que levo comigo dessa experiência é uma confirmação serena: continuo amando ensinar, mas hoje compreendo que minha vocação encontra sua forma mais plena na literatura. A oficina de desenho e leitura ativa foi maravilhosa e reafirmou algo essencial para mim, é por meio das histórias que consigo alcançar as crianças com mais profundidade, liberdade e encantamento”.
A professora também evidenciou a participação artística “a parte que fechou com chave de ouro e encantamento foi a participação circense, deixou a todos, absolutamente todos, hipnotizados”, afirmou.
Arte e Educação
Na tarde do dia 26/02, a quadra da Escola Municipal São Sebastião recebeu as performances e intervenções integrando a parte artística do projeto. Participaram das atividades, Naruna Sahdo, Richard Hartz, Thiana Colares e Cleyton Tenório. Além dos artistas Teffy Rojas, Ayla Taynã Magda Loiana e Último Alves. A contação de histórias foi realizada por Thiana Colares e Cleyton Tenório, já a Cia de Arte Cristã integrada pelas artistas Jaqueline Ferreira, Varlene Mesquita e Brisa Ramos promoveram o teatro de bonecos.
Programação
O projeto encerrará no dia 02 de abril, com uma programação pedagógica é para os professores de Educação Infantil e Ensino Fundamental I que poderão participar de Oficina de Contação de Histórias, ministrada pela artista da cena Thiana Colares, de um Workshop voltado para Acessibilidade, com Eliana Girão e, encerrando a programação, uma roda de conversa com o tema: Os desafios para a formação de novos leitores e o despertar para a escrita criativa na infância.





