Manaus recebe lançamentos de quadrinhos que unem história amazônica e legado de Maurício de Sousa

Dois lançamentos de quadrinhos com forte identidade amazônica prometem movimentar o cenário cultural de Manaus neste fim de semana. No sábado, 17 de janeiro, a Livraria Valer, no Largo de São Sebastião, será palco de um encontro que une memória histórica, criação autoral e a herança de um dos maiores nomes dos quadrinhos brasileiros, Maurício de Sousa.

Promovido pelo Black Eye Estúdio, o evento reúne uma tarde de autógrafos seguida de uma roda de conversa com artistas que vêm se destacando na produção de HQs no Amazonas. Entre eles estão Ademar Vieira, que integra a celebrada coletânea MSP 90 Anos, e Emerson Medina, autor do roteiro de A Batalha de Itacoatiara, ilustrada por Romahs Mascarenhas e Tieê Santos.

A coleção MSP 90 Anos celebra nove décadas do universo criado por Maurício de Sousa ao convidar artistas de diferentes regiões do país a reinterpretarem personagens clássicos sob novos olhares. Representando Manaus na antologia, Ademar Vieira — jornalista, roteirista e ilustrador — escolheu revisitar Papa-Capim, personagem indígena que marcou gerações de leitores brasileiros.

Para Vieira, a decisão dialoga diretamente com suas raízes amazônicas. Ele explica que a construção da história exigiu um mergulho profundo em referências culturais e simbólicas dos povos originários. “O Papa-Capim sempre teve uma ligação com a defesa da natureza, mas eu quis atualizar esse discurso a partir da mitologia indígena. Foi um processo intenso de pesquisa, com livros e documentários, até chegar a uma narrativa concisa, mas carregada de significado”, afirma o autor.

Já A Batalha de Itacoatiara resgata um episódio pouco conhecido da história do Amazonas: um confronto naval ocorrido durante a Revolução Constitucionalista de 1932, em Itacoatiara, município situado a cerca de 267 quilômetros de Manaus. Segundo Emerson Medina, jornalista e roteirista da obra, a HQ nasce do desejo de iluminar capítulos esquecidos da história brasileira.

“Temos acontecimentos poderosíssimos em todas as regiões do país que raramente chegam ao imaginário popular. Ao mesmo tempo em que valorizamos essas narrativas, a HQ também reforça uma mensagem clara: a guerra, especialmente quando é entre irmãos, nunca deveria ser celebrada”, ressalta.

A programação vai além do lançamento dos livros. A partir das 17h, o público poderá acompanhar uma mesa redonda com os autores, que discutirão os caminhos da criação em quadrinhos, passando por escrita de roteiro, construção visual e os desafios de produzir HQs de forma independente na região Norte. Mais do que apresentar novos títulos, o encontro se consolida como um espaço de troca entre profissionais atuantes no mercado nacional e o público manauara, contribuindo para a formação de leitores e para o estímulo de novas vozes na nona arte amazônica.

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