BELÉM, Pará – Em um ato de flagrante hipocrisia ambiental, a Organização das Nações Unidas (ONU) tem descartado resíduos de construção de suas instalações de conferência em uma comunidade de baixa renda em Belém, no Pará. A denúncia surge enquanto líderes e celebridades globais discursam sobre a urgência climática dentro da Cúpula da ONU, na mesma cidade.
A descoberta foi feita pela reportagem na Vila da Barca, uma favela à beira d’água, onde a falta de saneamento básico, eletricidade e segurança é uma realidade. Enquanto o ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore, criticava recentemente as pessoas comuns por supostamente “usarem o céu como um esgoto a céu aberto”, a investigação revela que o verdadeiro despejo ilegal está ocorrendo pelas mãos da elite do clima.
Lixo da ONU encontrado na Favela
A equipe viajou até a Vila da Barca após tomar conhecimento de vídeos locais em que moradores acusavam a ONU e a Prefeitura de Belém de usar o bairro como lixão particular. Historicamente, a comunidade já convive com o problema do esgoto das áreas mais ricas da cidade, que é desviado diretamente para o seu entorno e para a baía, transformando a água em um foco de doenças.
No local, as evidências foram claras. Além do esgoto, encontramos o impensável: a própria ONU – a mesma organização que sedia uma conferência climática a poucos quilômetros de distância – tem despejado seu entulho de construção de instalações da cúpula nesta comunidade vulnerável.
“Rastreamos a área e, para nossa surpresa, encontramos o local de despejo que a ONU está utilizando. Encontramos placas descartadas com o logotipo da ONU e lixo escondido à vista de todos,” relata nosso correspondente.
Vítimas do “Racismo Ambiental”
A Vila da Barca é uma comunidade majoritariamente marginalizada e pobre, cujos moradores, em sua maioria, nem sequer possuem a posse legal do terreno onde suas casas estão construídas. Sem poder político, lobby ou equipes de relações públicas, eles não têm meios de combater o descarte em suas portas.
Este ato é um exemplo gritante de como poderosas elites internacionais estão escondendo sua sujeira em um bairro de trabalhadores sem voz. Enquanto a “aristocracia climática” do mundo prega a pureza ambiental em salões refrigerados, ela opta por esconder sua própria devastação ambiental bem no meio das casas dos mais pobres.
A reportagem conseguiu o que a imprensa credenciada, focada em reciclar discursos oficiais da conferência, não fez: trazer à luz o que a ONU e a Prefeitura de Belém estão fazendo nas sombras, expondo a hipocrisia por trás da fachada da Cúpula do Clima.





