A gestão do prefeito David Almeida acaba de dar mais um passo que desafia a lógica da eficiência administrativa e a paciência do funcionalismo público. Foi formalizado o Termo Aditivo ao Contrato nº 001/2024, garantindo à Hapvida Assistência Médica S.A. mais 12 meses de controle sobre a saúde dos servidores municipais. O valor? A bagatela global de R$ 119.927.162,48.
O que seria apenas uma renovação de rotina ganha contornos de escândalo quando confrontamos os números do Diário Oficial com a realidade das ruas e do mercado financeiro.
O gigante de pés de barro
Enquanto a Prefeitura de Manaus injeta quase R$ 120 milhões nos cofres da operadora, o mercado financeiro assiste ao que pode ser o maior derretimento de valor de uma empresa de saúde na história da Bovespa. Em quatro anos, a Hapvida viu cerca de R$ 100 bilhões em valor de mercado evaporarem.
O cenário é de “terra arrasada”: balanços financeiros questionados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), uma fusão com a NotreDame Intermédica que ainda não “desceu” e uma crise de liquidez que acende o alerta vermelho. A pergunta que o contribuinte manauara e o servidor se fazem é simples: por que o prefeito decide amarrar o destino da saúde municipal a uma empresa que luta para não naufragar financeiramente?
O caos como método
Para o servidor que depende do plano, o termo “caos” não é força de expressão; é rotina. As denúncias acumuladas na ANS e nos órgãos de defesa do consumidor em Manaus desenham um quadro de horror:
Filas Intermináveis: Hospitais da rede própria que parecem prontos-socorros públicos em dia de surto epidemiológico.
Negativa de Atendimento: Uma batalha judicial constante para garantir direitos básicos, especialmente para dependentes que necessitam de terapias especializadas, como no caso do Transtorno do Espectro Autista (TEA).
A “Morte” da Manausmed: O desmonte do sistema próprio em favor da terceirização forçada entregou o servidor de bandeja a um modelo de “saúde de massa” que prioriza o corte de custos em detrimento da qualidade.
Silêncio e Sombras
A renovação ocorre sob uma nuvem de suspeitas que remete ao pregão original, onde empresas com lances menores foram desclassificadas para que a Hapvida assumisse o contrato por um valor muito superior. Agora, com um aditivo que encarece o serviço em mais de R$ 10 milhões anuais, a prefeitura se cala. Não há transparência sobre as metas de qualidade atingidas — se é que alguma foi — nem justificativa para o reajuste diante de um serviço tão criticado.
Ao assinar este aditivo, David Almeida ignora os alertas do mercado e o clamor das redes sociais. O funcionalismo de Manaus tornou-se refém de um contrato milionário com uma gigante em crise. Resta saber se os órgãos de fiscalização, como o Ministério Público e o Tribunal de Contas, permitirão que essa conta continue sendo paga com o suor do servidor e o descaso com a vida.
A saúde em Manaus não precisa de aditivos milionários para empresas em queda livre; precisa de respeito e gestão que coloque o paciente acima do balancete. Mas tem Portal Feliz e calado. Vamos deixar para outra oportunidade.





