Chuva deixa 30 mortos e milhares de desabrigados em Juiz de Fora e Ubá; 39 estão desaparecidos

© CBMMG/Divulgação

As fortes chuvas que atingem Juiz de Fora, na Zona da Mata de Minas Gerais, deixaram 24 mortos e mais de 3 mil pessoas desabrigadas. Na madrugada desta terça-feira (24), o município decretou estado de calamidade pública, e as aulas foram suspensas em todas as escolas da rede municipal.

Em Ubá, segundo o Corpo de Bombeiros, 6 pessoas morreram em decorrência da chuva. Na cidade, um rio transbordou na noite de segunda-feira (23), e a Avenida Beira Rio ficou tomada pela água.

Ao todo, 39 pessoas continuam desaparecidas na região.

Em Matias Barbosa, o prefeito decretou estado de calamidade pública devido à enchente que atingiu diversas regiões do município. A medida tem como objetivo viabilizar o acesso a recursos do Governo Federal, agilizar ações emergenciais e garantir o atendimento às famílias afetadas.

Entre as vítimas da tragédia estão estudantes e uma professora. As mortes aconteceram nos bairros JK, Santa Rita, Vila Ideal, Lourdes, Vila Alpina, São Benedito e Vila Olavo Costa.

Juiz de Fora

O temporal começou no fim da tarde de segunda-feira, e há previsão de mais chuva para Juiz de Fora, que fica em uma região de relevo bastante acidentado, com muitos morros, vales e encostas, próxima à divisa com o Rio de Janeiro.

Ainda segundo a prefeitura de Juiz de Fora, este é o fevereiro mais chuvoso da história da cidade, com 584 milímetros acumulados, o dobro do esperado para o mês. Cerca de 600 famílias devem deixar as casas.

Um dos bairros mais afetados é o Parque Burnier, onde, conforme os bombeiros, há 20 pessoas desaparecidas, entre elas mais de cinco crianças. Nove pessoas foram resgatadas com vida no local e quatro morreram. Ao todo, 12 casas desabaram.

No Bairro Cerâmica, duas casas desabaram. Cinco pessoas da mesma família estão soterradas. Bombeiros, equipes da Empav, Defesa Civil e Polícia Militar atuam na ocorrência.

O Rio Paraibuna e os córregos transbordaram. Pontes e o mergulhão, que ligam bairros ao Centro, estão fechados, e há também árvores caídas.

Em vídeo publicado nesta madrugada em uma rede social, a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), informou ao menos 20 ocorrências de soterramento. Os sobreviventes resgatados foram levados para o Hospital de Pronto Socorro (HPS), unidade de referência no município. A Prefeitura decretou luto de 3 dias.

O Ribeirão Ubá transbordou na noite de segunda-feira, e a Avenida Beira Rio, em Ubá, ficou tomada pela água.

Segundo a prefeitura, foram acumulados 124 milímetros de chuva nas últimas seis horas. Equipes do Corpo de Bombeiros, da Guarda Municipal e da Defesa Civil estão mobilizadas e contabilizam os danos.

Caixões de uma funerária localizada no Centro de Ubá foram carregados pela forte enxurrada. O vídeo foi gravado durante a forte chuva que atingiu a cidade na noite de segunda-feira (23) e provocou o que a prefeitura classificou como “a maior inundação dos últimos anos”.

Segundo informações do Corpo de Bombeiros, há pelo menos 7 mortes no município.

O prefeito de Matias Barbosa decretou estado de calamidade pública no município em razão da enchente que atingiu diversas regiões da cidade. De acordo com a prefeitura, a medida visa viabilizar o acesso a recursos do governo federal, agilizar ações emergenciais e garantir atendimento às famílias afetadas.

A administração municipal informou ainda que continua mobilizada para prestar assistência à população e que novas informações serão divulgadas pelos canais oficiais.

Recursos emergenciais

O governador anunciou a liberação imediata de recursos suplementares para apoiar as ações locais, sendo R$ 38 milhões para Juiz de Fora e R$ 8 milhões para Ubá Ele também informou ter recebido do governo federal a garantia de apoio posterior para reconstrução de pontes, vias e estruturas públicas. Em Ubá, uma das pontes foi destruída pela força das águas.

*texto alterado às 17h45 para atualização do número de mortos e desaparecidos

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