O Palácio Rio Negro volta a estar no centro de um furacão jurídico e político. Uma denúncia explosiva protocolada nesta sexta-feira (13/02) no Ministério Público do Amazonas (MPAM) pela pré-candidata Professora Maria do Carmo (PL) sacudiu os bastidores do poder. O documento, baseado no depoimento de um piloto de jatos executivos, expõe uma suposta rede de voos clandestinos carregados de dinheiro vivo — as chamadas “cargas perigosas” — que teriam servido a interesses governamentais e políticos, conectando o governo do Amazonas ao submundo do crime organizado e à elite financeira de São Paulo.
O Fantasma dos Respiradores: O Alvo é Wilson Lima
Embora Maria do Carmo tenha utilizado um tom de mistério em suas redes sociais, as referências foram interpretadas como ataques diretos ao governador Wilson Lima (União Brasil). Ao questionar se o eleitor votaria em um candidato que busca o cargo apenas para “não ser preso”, a pré-candidata resgatou o maior trauma da gestão estadual: a Operação Sangria (2020-2021).
“Fica um brinde para quem souber de quem estou falando, com um vinho de uma loja que certamente não compra respiradores”, disparou ela.
A fala remete ao fato de Wilson Lima ter se tornado réu no STJ após a investigação sobre a compra de respiradores superfaturados em uma adega de vinhos durante a pandemia. A nova denúncia sugere que o “modus operandi” de desvio teria migrado das prateleiras de vinhos para as pistas de pouso executivas.
Faria Lima: A “Lavanderia” da Elite e o PCC
A denúncia aponta que o esquema agora opera no “Coração de Vidro” do Brasil: a Avenida Faria Lima, em São Paulo. O depoimento do piloto Mauro Matozinho revela como a estrutura financeira da “Wall Street brasileira” teria sido usada pela Máfia dos Combustíveis (PCC) para lavar dinheiro e sustentar luxos políticos.
Segundo as investigações da Operação Carbono Oculto, o dinheiro era processado através de:
Fundos de Investimento e Fintechs: Instituições como o BK Bank e o Banco Master são investigadas por permitirem o trânsito de bilhões de origem ilícita.
A “Força Aérea” do Crime: Políticos do Amazonas teriam se conectado a essa elite (os “Faria Limers”) para utilizar jatos de luxo, como o modelo Gulfstream G150, supostamente pagos com dinheiro do crime organizado.
O elenco do escândalo: da cúpula ao crime
O depoimento cita figuras que compunham a rotina dos voos suspeitos:
Beto Louco e Primo: Apontados como chefes do PCC no setor de combustíveis e financiadores dos jatos.
Antonio Rueda e Ciro Nogueira: Líderes do União Brasil e PP, citados como proprietários ocultos ou destinatários de valores.
Danilo Trento: Empresário articulador, descrito transportando “caixas de dinheiro”.
Dias Toffoli: O ministro do STF é mencionado como passageiro de voos com destino a resorts de luxo ligados a executivos bancários investigados.
Direito de resposta e contraditório
Considerando a gravidade das acusações, as defesas dos citados se manifestaram:
Wilson Lima: O governador classifica a denúncia como “desespero eleitoral” e afirma que suas contas e contratos são transparentes e auditados.
Antonio Rueda e Ciro Nogueira: Negam qualquer vínculo com o piloto ou com a posse de aeronaves citadas, chamando o relato de “narrativa fantasiosa”.
Federação União Progressista: Defende a integridade de Dias Toffoli e vê na denúncia um ataque às instituições. Contudo, a bancada de senadores do PP, liderada por Tereza Cristina e Esperidião Amin, rebelou-se contra a nota, afirmando que a defesa do ministro não foi debatida e não representa o partido.
Próximos Passos: O MPAM no rastro do Jato PR-SMG
Com a Notícia Fato protocolada, o Ministério Público do Amazonas agora tem o dever de investigar se o governo estadual utilizou jatos financiados pelo crime organizado. O cruzamento dos planos de voo do jato de matrícula PR-SMG com as agendas oficiais de 2024 será o ponto decisivo para determinar se o Amazonas está diante de um escândalo ainda maior que o da “Adega de Vinhos”.
Nota da Redação: Este jornal preza pela isenção e permanece à disposição para publicar novas notas de esclarecimento de todos os mencionados.





