DOMINGOU: Quem vai segurar a mão de David após operação que prendeu suspeitos do Comando Vermelho, incluindo sua comissionada de confiança?

A política amazonense vive um domingo de cinzas antecipado, mergulhada em uma névoa de incertezas que paira sobre o Edifício da Prefeitura de Manaus. A pergunta que ecoa nos bastidores do poder é direta e cruel: quem terá coragem de segurar a mão de David Almeida após a operação policial que prendeu suspeitos do Comando Vermelho infiltrados na gestão municipal? O que era para ser um período de articulação para a reeleição transformou-se em um exercício de sobrevivência política, onde o “beijo da morte” pode vir de qualquer aperto de mão filmado pelas câmeras.

O escândalo de sexta-feira, dia 20, não é apenas um boletim de ocorrência, mas um terremoto no tabuleiro eleitoral. A prisão de uma quadrilha que atuava em várias esferas, com ramificações que chegam perigosamente perto do gabinete do prefeito, coloca David Almeida em uma “quarentena política”. No Amazonas, onde as alianças são costuradas com fios de conveniência e verbas federais, a proximidade com o crime organizado é um fardo que poucos aliados estão dispostos a carregar, especialmente quando o discurso de “segurança pública” se torna o calcanhar de Aquiles da gestão.

Eduardo Braga, o senador que hoje controla a Secretaria de Habitação de Manaus, observa o cenário com a frieza de quem conhece as marés do Rio Negro. Ao revelar publicamente que foi testemunha de um compromisso selado com aperto de mão — onde David teria garantido apoio a Omar Aziz para o governo — Braga não apenas expôs uma quebra de palavra, mas preparou sua rota de fuga. O senador deixou claro que seu palanque é o de Omar, e ao condicionar a manutenção da aliança a um “entendimento” entre os dois, ele colocou o prazo de validade na sua permanência no grupo de David.

A Secretaria de Habitação (SEMHAB) surge agora como o primeiro dominó de uma possível queda. Sendo uma pasta estratégica e vitrine de obras, ela é o cordão umbilical que liga o MDB de Braga à Prefeitura de Manaus. Se o senador sentir que o desgaste da operação policial começou a contaminar sua própria imagem ou seus planos para o Senado em 2026, a entrega dos cargos na SEMHAB será o sinal definitivo de que David foi deixado à própria sorte. Na política baré, o isolamento costuma ser o prelúdio da derrota.

David Almeida tenta reagir prometendo apoio à reeleição de Braga, mas caminha em sentido oposto ao de Omar Aziz, o principal aliado do senador. Essa estratégia de “dividir para conquistar” parece ignorar a realidade dos fatos: Braga e Omar estão andando o estado de mãos dadas, enquanto David se vê cercado por investigações e suspeitas de infiltração criminosa em sua estrutura de poder. A lealdade que David oferece a Braga parece insuficiente diante do peso de um escândalo que toca no nervo exposto da segurança pública estadual.

O cenário para o prefeito é de uma encruzilhada sombria. Sem o apoio de Omar e com Braga com um pé fora do barco, David Almeida corre o risco de se tornar um “prefeito de gabinete”, isolado por uma mancha que asfalto nenhum consegue cobrir. O domingo de reflexão política em Manaus termina com uma certeza: no jogo do poder, quando o crime entra pela porta da frente, os aliados costumam pular pela janela dos fundos.

 

 

Texto de Opinião: Ronaldo Aleixo
É jornalista (DRT 96423/SP), filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e ao Sindicato dos Jornalistas de Roraima (Sinjoper). Tecnólogo em Marketing pela Uninter-AM, possui pós-graduações em Jornalismo Digital, Jornalismo Investigativo, Docência do Ensino Superior e Gestão de Mídias Sociais, além de um MBA em Ciência Política: Relações Institucionais e Governamentais, todos pela Uninter-PR. Atualmente, é pós-graduando em Direito Digital pela PUC-RS, com conclusão e defesa de TCC previstas para primeiro semestre de 2026.

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