Manaus, 22 de janeiro de 2026, o mercado de créditos de carbono no Brasil enfrenta um de seus maiores testes de integridade. Uma investigação detalhada, baseada em documentos internos do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), aponta para uma tentativa de validar um projeto de R$ 45,5 bilhões na região de Apuí (AM), em favor da família de Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master.
O “Ativo de Vento”
O projeto, registrado por empresas controladas por familiares de Vorcaro, baseia-se na exploração ambiental da Fazenda Floresta Amazônica. No entanto, o próprio INCRA já havia classificado a área como terra pública da União, destinada originalmente a assentamentos de reforma agrária.
Especialistas do setor jurídico alertam que o valor bilionário teria sido inflado para servir como lastro em operações financeiras e fundos de investimento, prática conhecida como “grilagem digital”. Ao registrar um ativo inexistente de tal magnitude, o grupo teria conseguido expandir artificialmente o patrimônio de suas empresas.
Pressão nos bastidores do poder
O centro da polêmica recai sobre João Pedro Gonçalves, ex-senador e atual diretor de Governança Fundiária do INCRA. Relatórios indicam que Gonçalves teria cobrado “celeridade máxima” na assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para regularizar a situação da família Vorcaro, ignorando alertas técnicos sobre a ilegalidade da posse da terra.
Em sua defesa, João Pedro Gonçalves negou veementemente qualquer favorecimento. “Não vou permitir que vinculem meu nome a ilegalidades”, afirmou em nota. Ele sustenta que o processo segue trâmites normais e que as decisões são pautadas em critérios técnicos, apesar das evidências de pressão interna relatadas por servidores.
Desdobramentos e investigação
O caso já chegou ao Tribunal de Contas da União (TCU). O subprocurador Lucas Rocha Furtado solicitou a abertura imediata de uma investigação para apurar se houve dano ao erário e se o Banco Master utilizou esses “créditos podres” para sustentar seu balanço financeiro.
A Polícia Federal também monitora o caso através de desdobramentos da “Operação Carbono Oculto”, que investiga esquemas similares de lavagem de dinheiro utilizando a fachada da preservação ambiental na Amazônia.
O que dizem os envolvidos
Família Vorcaro/Banco Master: Em notas anteriores, a defesa afirmou que os investimentos seguem as normas vigentes e que a posse das terras é legítima.
INCRA: O órgão emitiu nota afirmando que qualquer comercialização de créditos em áreas de reforma agrária sem autorização expressa é nula e passível de punição.





