Justiça Federal, MPF e IPAAM foram os responsáveis pelo embargo da Cidade Universitária: R$ 147 milhões enterrados até 2026


CRONOLOGIA DO ABANDONO: O projeto, que atravessou as gestões de Omar Aziz, José Melo, David Almeida, Amazonino Mendes e Wilson Lima, segue travado por graves irregularidades ambientais e arqueológicas.

Manaus, 16 de janeiro de 2026 – O projeto da Cidade Universitária da UEA, em Iranduba, completa mais um ano como o maior símbolo de desperdício de dinheiro público no Amazonas. Com um investimento acumulado de R$ 147 milhões, as obras permanecem paralisadas por força de decisões da Justiça Federal, baseadas em ações do Ministério Público Federal (MPF) que denunciaram o descumprimento de leis básicas de preservação.

Um Projeto, quatro gestões
A paralisia da obra é um quebra-cabeça que envolve quatro diferentes governadores, cada um com uma parcela de responsabilidade no atual cenário de ruínas:

Omar Aziz: Idealizador do projeto em 2012, deu início às obras com grande apelo político, mas sem concluir os estudos ambientais e arqueológicos necessários. O erro de planejamento na origem é o que permitiu o questionamento jurídico posterior.

José Melo: Durante seu mandato, a obra perdeu ritmo e enfrentou os primeiros grandes problemas de pagamento e fiscalização. Foi em sua gestão que os órgãos federais intensificaram as vistorias que resultariam no bloqueio total.

David Almeida: Governador Tampão, teve pouco tempo para tentar fazer algo.

Amazonino Mendes: Ao assumir em 2017, após a cassação de Melo, Amazonino encontrou a obra já embargada pela Justiça Federal. Ele optou por não investir na recuperação do projeto, chamando-o publicamente de “invável” e “elefante branco”, selando o destino de abandono das estruturas.

Wilson Lima: O atual governador, em seu segundo mandato, convive com o embargo durante toda a sua gestão (desde 2019). Apesar de o Estado ter buscado recentemente, em 2025, novas alternativas para a área — como a criação de um Parque Tecnológico —, a falta de um acordo definitivo com o MPF mantém o local sob o domínio do mato e da degradação.

O peso da caneta Federal
Embora os governadores tenham falhado na execução e na continuidade, o “cadeado” final foi colocado pelo MPF e pela Justiça Federal. O entendimento jurídico foi de que o licenciamento emitido pelo órgão estadual (IPAAM) foi frágil e omisso. A justiça proibiu a continuidade por dois motivos principais:

Dano Ambiental: Intervenção direta em áreas de nascentes e preservação permanente.

Patrimônio Arqueológico: A destruição de vestígios históricos sem o acompanhamento do IPHAN.

Prejuízo Irrecuperável
Hoje, os R$ 147 milhões investidos estão visíveis apenas na estrada de acesso e nos esqueletos de concreto que se deterioram com o tempo. Para os órgãos de fiscalização, a obra é um caso clássico de como a pressa política em iniciar grandes empreendimentos, atropelando ritos legais, pode levar ao prejuízo total do erário.

Até o momento, em janeiro de 2026, não há previsão de retomada da construção original, e o destino do que restou da “Cidade Universitária” continua sendo um dos maiores desafios jurídicos e administrativos do Amazonas.

Texto: Ronaldo Aleixo – Jornalista DRT 96423/SP – Fenaj

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