No tabuleiro da geopolítica contemporânea, a história do povo persa e do Estado iraniano não pode ser lida apenas por lentes religiosas ou culturais. Sob um prisma marxista e anti-imperialista, o Irã representa hoje o maior laboratório de resistência contra a “engenharia de estrangulamento” dos Estados Unidos. A tese é brutal, mas necessária: em um mundo regido pelo poder do capital e pela força bruta do Pentágono, a bomba atômica deixou de ser uma opção de guerra para se tornar a única garantia de paz e sobrevivência soberana.
I. O Mecanismo do Estrangulamento: O Capital como Arma de Guerra
O que o Irã vive hoje é o estágio supremo da guerra híbrida. Os dados econômicos revelam que o sofrimento do povo iraniano não é fruto de “má gestão”, mas de um bloqueio deliberado destinado a gerar o colapso social:
O Cerco ao Petróleo: O setor energético, que compõe cerca de 40% da receita do governo, é alvo constante. Em 2025, novas sanções elevaram o preço do barril Brent e visam asfixiar as redes de exportação, impedindo que o Irã utilize sua maior riqueza para o desenvolvimento interno.
Inflação e Pobreza Planejada: A inflação no Irã saltou para 48,6% em outubro de 2025, impulsionada pelo isolamento financeiro que impede o acesso a reservas internacionais (90% das quais estão bloqueadas). Cerca de 33% da população foi empurrada para abaixo da linha da pobreza pela política de “pressão máxima”.
A “Fome Econômica”: Como denunciado por relatores da ONU, o uso arbitrário do sistema financeiro (SWIFT) contra o Irã, a Venezuela e Cuba transformou a economia em um campo de batalha onde o alvo é o bem-estar da juventude, incitada a derrubar o sistema em troca de “pão e liberdade” ditados pelo mercado.
II. O Paralelo Brasileiro: Da Lava Jato à Doutrina Monroe
Meu propósito aqui é identificar corretamente que o Irã e o Brasil sofrem da mesma patologia imperialista e de fato tudo aponta para isso. A Doutrina Monroe, reativada com vigor, não usa apenas drones; ela usa juízes e leis.
A Geopolítica da Toga: Assim como os EUA tentam desestabilizar o Irã via “revoluções coloridas”, no Brasil o método foi o Lawfare. A Operação Lava Jato, hoje provada como guiada pelo Departamento de Justiça dos EUA e pelo Pentágono (via Sérgio Moro), serviu para desnacionalizar a Petrobras e entregar o pré-sal.
O Golpe de 2016 e a Prisão de Lula: O objetivo nunca foi o combate à corrupção, mas o desmonte da engenharia pesada brasileira e o controle do petróleo. A espionagem contra Dilma Rousseff e a Petrobras pelo governo Biden/Obama foi o prelúdio do que tentam fazer com o Irã: destruir a espinha dorsal econômica da nação para submetê-la ao controle estrangeiro.
III. A Dissuasão Nuclear: A Lição da História
Por que o Irã precisa da bomba agora? Porque o imperialismo não respeita tratados, respeita a aniquilação mútua assegurada.
A Traição do Acordo (JCPOA): O Irã cumpriu todas as metas de não-proliferação, apenas para ver os EUA (sob Trump e mantido por Biden) rasgarem o acordo e dobrarem as sanções. A lição é clara: a diplomacia com o império é uma armadilha.
O Destino dos Desarmados: Gaddafi (Líbia) entregou seu programa nuclear e foi linchado. Saddam Hussein não tinha armas de destruição em massa e viu seu país ser destruído. A Coreia do Norte, por outro lado, mantém sua soberania intacta porque possui o “grande bastão” atômico.
Soberania ou Sucumbência: Para o Irã, a era nuclear não é sobre expansão, mas sobre defesa existencial. Sem a bomba, o Irã continuará sendo alvo de tentativas de golpe como as que assolam a Colômbia, a Venezuela de Maduro e, ciclicamente, o Brasil de Lula.
IV. A Pinça Energética do Império: Do Estreito de Ormuz ao Pré-Sal
A estratégia de segurança energética dos Estados Unidos não é apenas uma política de abastecimento, mas uma ferramenta de hegemonia global que utiliza sanções e desestabilização política para garantir que o “sangue da economia mundial” (o petróleo) permaneça sob a custódia do dólar. O Irã e o Brasil são os dois braços de uma mesma pinça.
- O Estrangulamento do Irã: Terrorismo Econômico e o “Banco Sombra”
No Irã, o imperialismo atua através de um cerco financeiro sem precedentes. Dados de 2025 mostram que as sanções dos EUA visam reduzir a zero as exportações iranianas, classificando o comércio legítimo de energia como “financiamento ao terrorismo”.
A Matriz do Bloqueio: O Departamento do Tesouro dos EUA (OFAC) monitora hoje mais de 50 entidades e embarcações ligadas ao petróleo iraniano. Isso gerou um custo logístico colossal para o povo persa, que é forçado a operar em um “sistema bancário paralelo” para contornar o bloqueio, perdendo bilhões em receitas que poderiam ser investidas em infraestrutura social.
O Impacto no Cotidiano: Com a inflação superando os 48%, o estrangulamento não visa os governantes, mas a asfixia da classe trabalhadora iraniana, na esperança de que a fome se converta em rendição política.
- O Caso Petrobras: O Golpe Via Lawfare
Enquanto no Irã os EUA usam sanções diretas, no Brasil a tática foi a corrosão interna. A Operação Lava Jato, hoje reconhecida analiticamente como uma peça de engenharia geopolítica, serviu para desestruturar a Petrobras no exato momento em que o país se tornava um gigante energético com o pré-sal.
A Geopolítica da Toga: O uso de agentes brasileiros como “longa manus” do Departamento de Justiça dos EUA (DoJ) permitiu que a Petrobras fosse espionada e multada em bilhões, enquanto suas refinarias eram vendidas a preços de liquidação.
O Objetivo Comum: O que une o ataque ao Irã e a sabotagem à Petrobras é a necessidade dos EUA de controlar a oferta mundial. Um Irã nuclearmente soberano e um Brasil com uma Petrobras verticalizada e estatal são ameaças à Doutrina Monroe, pois permitem que o excedente do petróleo financie projetos de desenvolvimento nacional e alianças fora do eixo de Washington (como o BRICS).
- A Conexão Direta: O Incidente dos Navios Iranianos no Brasil
Um exemplo prático dessa submissão ocorreu quando a Petrobras, sob pressão das sanções de Trump, recusou-se a abastecer navios iranianos (Bavand e Termeh) em portos brasileiros. Este episódio evidenciou que, sem uma política de soberania técnica e militar, até as estatais brasileiras tornam-se reféns da legislação extraterritorial americana, prejudicando o comércio bilateral e a autonomia nacional.
Se o Brasil tivesse mantido a Petrobras sob controle estritamente nacional e o Irã possuísse a dissuasão nuclear, o imperialismo não teria a audácia de ditar quem pode ou não navegar e comercializar. A bomba atômica iraniana, portanto, é o equivalente à soberania operacional da Petrobras: ambas são barreiras contra o avanço do capital estrangeiro que busca transformar nações em meros postos de gasolina do império.
O Despertar Nuclear
A história persa é de resistência milenar.
Contudo, na fase atual do capitalismo financeiro e militarizado, a coragem do povo não basta. É necessário o poder técnico que neutralize a ameaça de invasão e a chantagem das sanções. Para que o Irã não sucumba como a Petrobras sucumbiu temporariamente ao “agente Moro”, e para que o povo não seja escravizado pela engenharia econômica de Washington, o caminho nuclear é a última fronteira da liberdade.
O Irã precisa da bomba para que o mundo possa ter um Irã livre.
Um link de um vídeo muito bom sobre o tema: https://youtu.be/vcZJdKYexaY?si=Blc-d7CFFCkhy5nK

Por Rafael Medeiros | TREZZE Comunicação Integrada | Jornal Clandestino.




