A corrida para o Senado no Amazonas em 2026 afunilou-se em um embate direto entre três forças distintas, deixando pouco oxigênio para os demais competidores. De acordo com os levantamentos mais recentes, a disputa pelas duas cadeiras disponíveis está hoje concentrada em um “G-3” formado pelo Capitão Alberto Neto (PL), Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB). Esse cenário coloca o atual governador, Wilson Lima (União), em uma situação delicada: o risco real de ficar sem mandato a partir de 2027.
Na liderança das pesquisas, Capitão Alberto Neto consolidou-se como o herdeiro natural do voto conservador e da insatisfação com as máquinas políticas tradicionais. Sua força em Manaus é o motor que o mantém no topo, impulsionado por uma base fiel que prioriza a pauta ideológica. Neto conseguiu converter o recall da eleição municipal de 2024 em um favoritismo sólido, desafiando a lógica de que apenas o controle do interior garante a vitória no estado.
Lado a lado com Neto, Eduardo Braga demonstra a resiliência de quem domina o “mapa da mina” do Amazonas. Seu favoritismo é ancorado no interior profundo, onde a influência dos prefeitos e a parceria com o governo federal de Lula criam um cinturão de votos quase impenetrável para novatos. Braga é o mestre da sobrevivência política, contando com o fato de ser a segunda opção de diversos grupos, o que o coloca tecnicamente empatado na liderança em quase todos os levantamentos.
Fechando o trio de favoritos, Plínio Valério prova que o fenômeno de 2018 não foi obra do acaso. Com uma atuação parlamentar ativa e uma estratégia cirúrgica de distribuição de emendas para os municípios, Plínio mantém um “voto de opinião” valioso na capital e começa a colher frutos no interior. Ele ocupa o espaço do candidato que foge da polarização extrema, atraindo o eleitor que busca resultados práticos e independência política.
Enquanto o trio de ferro se consolida, o governador Wilson Lima enfrenta ventos contrários. Apesar de deter a máquina estatal, Lima aparece estagnado nas pesquisas, frequentemente em quarto lugar. A tentativa de transferir o governo para Tadeu de Souza para focar na campanha parece, até o momento, insuficiente para romper a barreira dos três primeiros colocados. Para Wilson, o cenário é de “tudo ou nada”: se não conseguir reverter a rejeição em Manaus ou canibalizar os votos de Braga no interior, o atual chefe do Executivo corre o risco de amargar uma derrota que o deixará fora do tabuleiro político nos próximos anos.
Em resumo, a “bagunça” das alianças começa a dar lugar a uma hierarquia clara. Alberto Neto tem o entusiasmo, Braga tem a estrutura e Plínio tem a confiança. Para os outros, inclusive para quem detém a máquina do Estado, o tempo para evitar o isolamento político está se esgotando.
No entanto, o tabuleiro ainda reserva espaço para movimentações que podem desestabilizar os líderes. É preciso observar com atenção o potencial de subida de Marcos Rotta, que passa a contar com o suporte direto da máquina municipal e a popularidade do prefeito David Almeida, um ativo que costuma ser decisivo no maior colégio eleitoral do estado. No campo oposto, Marcelo Ramos surge como uma peça estratégica: com o apoio esperado de Omar Aziz — articulador de peso e o candidato preferido do Presidente Lula no Amazonas — Ramos tenta unificar o voto da esquerda e dos beneficiários de programas federais. Se essa transferência de prestígio de David para Rotta e de Omar/Lula para Marcelo se concretizar, o que hoje é um “G-3” pode rapidamente se transformar em um embate de cinco ou seis nomes com chances reais de vitória, pulverizando ainda mais o voto no interior e na capital.
Levantamento Consolidado: Pesquisas Senado Amazonas (2025/2026)
Os números a seguir reúnem as tendências médias dos levantamentos mais recentes para as duas vagas em disputa:
| Candidato | Média de Intenção | Principal Vetor de Votos |
| Capitão Alberto Neto (PL) | 37% a 39% | Liderança em Manaus e forte apelo ideológico à direita. |
| Eduardo Braga (MDB) | 34% a 39% | Hegemonia histórica no interior e articulação com o Gov. Federal. |
| Plínio Valério (PSDB) | 28% a 34% | Voto de opinião na capital e forte entrega via emendas no interior. |
| Wilson Lima (União) | 16% a 30% | Suporte da máquina estadual e aliança com prefeitos. |
| Marcelo Ramos (PT) | 9% a 21% | Voto de legenda (PT) e identificação com o eleitorado de esquerda. Pode subir com esperado apoio de Omar Aziz. |
| Marcos Rotta (Avante) | 7% a 16% | Espólio político da gestão municipal (David Almeida). |
Ronaldo Aleixo é jornalista com registro na FENAJ, especialista em Políticas Públicas pela UNINTER-PR e finalista em Direito Digital pela PUC-RS. Este texto reflete a opinião do autor baseada em levantamentos estatísticos e fatos políticos, sem o intuito de descredibilizar figuras públicas.





