A manhã desta sexta-feira (20) não trouxe apenas o som de sirenes às ruas de Manaus; trouxe o desmoronamento de narrativas políticas que pareciam sólidas. A Operação Erga Omnes, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas em sete estados, é um divisor de águas. Ao investigar um “núcleo político” supostamente infiltrado nos três poderes para servir ao Comando Vermelho, a polícia lançou uma sombra sobre o tabuleiro das próximas eleições.
A prisão de Anabela Cardoso Freitas é o ponto de maior voltagem política. Ex-chefe de gabinete do prefeito David Almeida e integrante da Comissão de Licitação, Anabela ocupava espaços de extrema confiança e sensibilidade estratégica. Embora o prefeito não seja alvo da investigação, a proximidade com figuras centrais do inquérito cria um desgaste que o asfalto e as obras dificilmente poderão compensar no curto prazo.
No jogo político de 2026, a operação funciona como munição para uma oposição que já vinha denunciando, sob protestos da gestão municipal, a fragilidade dos controles internos. David Almeida agora se vê encurralado entre a necessidade de isolar os investigados e a pressão de uma Assembleia Legislativa (Aleam) que já analisa a reprovação de suas contas. O risco de inelegibilidade, antes uma ameaça técnica, agora ganha um contorno de urgência política.
O “Erga Omnes” — expressão latina para “vale para todos” — parece ser o título premonitório de um ano eleitoral que será pautado não por promessas, mas pela capacidade de sobrevivência institucional.
O OUTRO LADO: NOTAS OFICIAIS
Em respeito ao princípio do contraditório, o espaço permanece aberto para as manifestações dos citados. Abaixo, os posicionamentos registrados até o momento:
Prefeitura de Manaus: Em nota oficial, a Prefeitura negou qualquer envolvimento na operação e ressaltou que não é alvo das investigações. Afirmou que “qualquer servidor eventualmente investigado responderá individualmente por seus atos, nos termos da lei” e repudiou tentativas de criar “narrativas mentirosas” para fins políticos. O prefeito David Almeida cancelou sua agenda oficial desta sexta-feira para focar na gestão da crise.
Defesa de Anabela Cardoso Freitas: A defesa da servidora emitiu nota repudiando o que chamou de “polemização midiática” do caso. Os advogados sustentam que Anabela não possui qualquer vínculo ou benefício com o objeto das investigações e que a verdade prevalecerá no curso do processo.
Alcir Quiroga Teixeira Júnior: Até o fechamento desta edição, a defesa de Alcir Quiroga não havia se manifestado publicamente sobre as acusações de lavagem de dinheiro e operação financeira do esquema. O espaço segue aberto para sua versão.
Ronaldo Aleixo
É jornalista (DRT 96423/SP), filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e ao Sindicato dos Jornalistas de Roraima (Sinjoper). Tecnólogo em Marketing pela Uninter-AM, possui pós-graduações em Jornalismo Digital, Jornalismo Investigativo, Docência do Ensino Superior e Gestão de Mídias Sociais, além de um MBA em Ciência Política: Relações Institucionais e Governamentais, todos pela Uninter-PR. Atualmente, é pós-graduando em Direito Digital pela PUC-RS, com conclusão e defesa de TCC previstas para primeiro semestre de 2026.





