MANAUS – O calendário marca exatas duas semanas desde que o distintivo da investigadora Anabela Cardoso Freitas foi confrontado pela própria instituição que ela deveria representar. Presa no dia 20 de fevereiro durante a Operação Erga Omnes, Anabela completa 14 dias de custódia sob uma acusação que estremece as bases da Prefeitura de Manaus: a de atuar como peça-chave em um esquema de lavagem de dinheiro e favorecimento à facção criminosa Comando Vermelho.
A sombra da facção nos corredores do poder
De acordo com as investigações da Polícia Civil do Amazonas, a atuação de Anabela ultrapassava a simples assessoria política ao prefeito David Almeida. O inquérito sugere que a servidora utilizava sua posição estratégica na Comissão Municipal de Licitação (CML) e seu livre trânsito no gabinete municipal para facilitar operações financeiras que serviam aos interesses da organização criminosa. A suspeita é de que o “know-how” de investigadora era usado não para combater o crime, mas para blindar o núcleo político de fiscalizações e vazar informações sigilosas.
Treze anos de distintivo na gaveta e poder nas mãos
O que causa indignação na opinião pública e no efetivo da segurança é a trajetória “híbrida” da servidora. Desde 2011, Anabela raramente foi vista em delegacias ou operações de rua. Sua carreira foi construída à sombra da ascensão política de David Almeida, passando pela Aleam e pela Casa Civil. O Ministério Público agora apura se essa cessão permanente foi o mecanismo que permitiu a criação de um “filtro” no gabinete do prefeito, onde a investigadora decidiria quem entrava e qu
ais processos avançavam, supostamente sob a influência do Comando Vermelho.
Presa, Investigada e ainda empregada
Apesar da gravidade das evidências apresentadas pela Polícia Civil — que incluem movimentações bancárias atípicas e diálogos interceptados —, o vínculo administrativo de Anabela permanece intacto. Quatorze dias após a prisão, não houve publicação oficial de afastamento contundente ou exoneração de cargos de confiança que ainda possam estar vigentes. A Prefeitura de Manaus limita-se a dizer que os atos são “individuais”, mas a manutenção da servidora nos quadros do funcionalismo, enquanto detida sob suspeita de ligação com o crime organizado, alimenta uma crise ética sem precedentes na gestão municipal.
Espaço para o contraditório
Dada a natureza pública das investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, bem como a publicidade dos atos administrativos e exonerações (ou a ausência delas) nos Diários Oficiais, este veículo de comunicação mantém o espaço aberto para as manifestações oficiais dos citados:
À Defesa de Anabela Cardoso Freitas: O espaço está disponível para que os representantes jurídicos da investigada possam se manifestar sobre as acusações de lavagem de dinheiro, vazamento de informações e ligação com o Comando Vermelho.
À Prefeitura de Manaus: O espaço segue aberto para que a gestão municipal esclareça a situação funcional da servidora e explique por que, após 14 dias de prisão, ainda não houve o afastamento formal de cargos de confiança ou a abertura de processo administrativo disciplinar (PAD).
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