Uma nuvem de desconfiança paira sobre os bastidores da política amazonense após a divulgação da pesquisa AM-04742/2026, realizada pelo Instituto Veritá. Com um custo declarado de R$ 93.940,00 , o levantamento apresenta inconsistências graves que acenderam o alerta de especialistas e colunistas políticos, destoando completamente de institutos de renome nacional como a Quaest.


Autofinanciamento e Ausência de Nota Fiscal
O ponto que mais chama a atenção no registro do TSE é a origem do dinheiro. O Instituto Veritá declarou que a pesquisa foi realizada com recursos próprios. Na prática, a empresa pagou quase R$ 100 mil para pesquisar a si mesma, figurando simultaneamente como contratada e pagante.
Mais estranho ainda é o campo fiscal: o registro informa textualmente que a “Nota fiscal não é exigida”. Em um mercado onde a transparência é a moeda de troca, um investimento desse porte sem a devida prestação de contas tributária levanta questionamentos sobre quem são os verdadeiros interessados por trás dos números.
O Erro do Delegado: Costa e Silva no lugar errado
Além do mistério financeiro, a pesquisa comete um erro técnico primário que compromete sua credibilidade. O levantamento posiciona o Delegado Costa e Silva como candidato pelo Solidariedade.
O equívoco é grosseiro, uma vez que o Delegado é quadro consolidado do PL, marchando ao lado da ala bolsonarista. Ao testar um candidato em uma legenda trocada, o instituto não apenas induz o eleitor ao erro, mas invalida a precisão do cenário para o Senado, onde ele aparece com apenas 2,5% das intenções de voto.
Comparação Seletiva
Enquanto institutos como a Quaest e o Ipec mostram cenários de maior equilíbrio ou lideranças consolidadas baseadas em históricos partidários reais, a Veritá parece “correr por fora” com dados que isolam o grupo do atual governo e inflam nomes da direita sob métricas de ponderação que o próprio instituto admite serem baseadas em dados que podem estar desatualizados, como escolaridade e nível econômico.
Para o mercado político, o recado é um só: uma pesquisa que não sabe o partido do candidato e que se paga sem emitir nota, serve mais como peça de marketing do que como termômetro real da vontade do povo.
Municípios Abrangidos e Volume de Entrevistas
A pesquisa ouviu eleitores em 11 cidades estrategicamente distribuídas pelo estado:
- Manaus: 712 entrevistas (Maior volume, cobrindo todos os bairros).
- Parintins: 149 entrevistas.
- Itacoatiara: 118 entrevistas.
- Maués: 57 entrevistas.
- Iranduba: 49 entrevistas.
- Autazes: 32 entrevistas.
- Barreirinha: 26 entrevistas (Destaque para os bairros São Judas Tadeu e Beira Rio).
- Careiro: 26 entrevistas.
- Tefé: 23 entrevistas.
- Borba: 15 entrevistas.
- Tabatinga: 13 entrevistas.
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