MANAUS – O que começou com uma declaração polêmica do deputado federal Amom Mandel (Cidadania) sobre a qualidade do parlamento municipal, escalou para um embate direto e desconfortável para o secretário municipal de limpeza pública, Sabá Reis. Após Sabá reagir às falas de Amom — que afirmou que “vereador e merda são a mesma coisa” — o deputado não recuou e subiu o tom, lembrando ao secretário que suas preocupações deveriam estar voltadas para a Justiça Federal.
Em comentário direto nas redes sociais, Amom foi implacável: “Quem quer falar com ele [Sabá] é a Polícia Federal”. A frase, acompanhada de emojis de “olhos atentos”, não é apenas uma provocação política, mas um lembrete incômodo dos inquéritos que cercam a Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Urbanos (Semulsp).
O Cerco da Operação Dente de Marfim
Sabá Reis está no centro de uma tempestade jurídica. Investigações da Polícia Federal, no âmbito da Operação Dente de Marfim (desdobramento da Operação Entulho), apuram um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa na gestão do lixo em Manaus.
O nome do secretário aparece ligado a suspeitas de recebimento de propina e ao uso de notas fiscais frias que somam mais de R$ 2,2 milhões. Segundo o MPF, o esquema envolveria a empresa Mamute Conservação, que recebeu aditivos milionários da gestão David Almeida, mas teria emitido notas por serviços de advocacia nunca prestados para mascarar o desvio de dinheiro público.
Inquérito Civil e Fraudes em Contratos
Além da PF, o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) também fechou o cerco. A promotora Wandete de Oliveira Netto converteu procedimentos preparatórios em Inquérito Civil para investigar fraudes em contratos com as empresas Maceara Construções e Construtora Marquise.
O MP investiga o período de 2015 a 2023, focando em “contratos simulados”. A justiça já determinou o levantamento do sigilo dos autos, permitindo que a sociedade acompanhe o que o juiz federal Thadeu José Piragibe Afonso descreveu como indícios claros de sonegação fiscal e crimes contra o patrimônio público.
Clima de Tensão
Enquanto Sabá Reis tenta manter sua influência política agora à frente do PDT no Amazonas, a oposição utiliza as investigações como munição. O “sacode” dado por Amom nas redes sociais reflete o isolamento técnico da Semulsp diante de órgãos de controle que, agora, exigem a apresentação de todas as planilhas de medição e liquidação de despesas dos últimos anos.
Para o cidadão manauara, fica a pergunta: até onde vai o rastro de “notas frias” na limpeza da cidade? Pelo visto, a resposta virá dos depoimentos à Polícia Federal.
Texto: Ronaldo Aleixo Jornalista DRT 96423/SP / Rubson Madeira e Felipe Jr. -Cobras da Direita





