Por que Zema está certo: O trabalho como pilar da formação e dignidade – Por: Ronaldo Aleixo

O debate sobre o trabalho na juventude voltou ao centro do cenário político nacional com as recentes declarações do ex-governador e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema. Ao citar o modelo norte-americano — onde é comum ver jovens em atividades como a entrega de jornais — e defender que crianças realizem tarefas simples e adequadas à sua capacidade, Zema toca em uma ferida aberta na cultura brasileira: a distinção entre exploração e formação.

A Experiência que Constrói o Cidadão

Para muitos brasileiros, como o jornalista Ronaldo Aleixo, que iniciou sua trajetória aos 12 anos na Zona Franca de Manaus, o trabalho na infância ou adolescência não foi sinônimo de exploração, mas de oportunidade.

“Trabalhar cedo, em funções administrativas ou de auxílio, permitiu a muitos ajudar a família sem abandonar os estudos. O resultado? Uma geração que aprendeu cedo o valor do dinheiro, o respeito à hierarquia e a importância do compromisso.”

Diferente do que prega certa ala ideológica, que enxerga qualquer atividade laboral antes da maioridade como um trauma, a vivência prática demonstra que o ócio forçado pode ser muito mais prejudicial do que uma ocupação supervisionada e digna.

Trabalho vs. Assistencialismo

A visão de Zema vai além da infância e atinge também a gestão de benefícios sociais. A proposta de exigir que beneficiários aptos do Bolsa Família — os chamados “marmanjões” — aceitem ofertas de emprego sob pena de perder o auxílio, reflete um desejo latente da classe trabalhadora: o de que o Estado pare de incentivar a dependência.

  • Educação pelo Exemplo: O trabalho ensina que o sustento vem do mérito, não de concessões governamentais.
  • Quebra de Ciclos: Quando um jovem ajuda em casa com recursos de seu esforço, ele entende a dinâmica da economia real muito antes de entrar na faculdade.
  • Responsabilidade Social: Ocupar a juventude com tarefas úteis é uma das ferramentas mais eficazes de prevenção social e segurança pública.

O Modelo que o “Brasileiro de Bem” Almeja

O que se defende aqui não é o trabalho insalubre ou a negação do direito de brincar e estudar, mas sim o fim da criminalização do esforço. Países desenvolvidos tratam o primeiro emprego e os pequenos “bicos” juvenis como ritos de passagem essenciais para a maturidade.

No Brasil, a burocracia e o protecionismo excessivo muitas vezes empurram o jovem para a ociosidade ou, no pior dos casos, para a criminalidade, enquanto poderiam estar aprendendo uma profissão em um ambiente controlado, como empresas de despachos aduaneiros, escritórios ou o comércio local.

O resgate do trabalho como pilar de formação é, acima de tudo, uma questão de ética. Quando figuras como Zema propõem essa mudança de mentalidade, eles ecoam a voz de milhões de brasileiros que, como Ronaldo Aleixo, começaram cedo, prosperaram e sabem que o suor do próprio rosto é o melhor professor que um cidadão pode ter.

O Brasil precisa decidir se quer continuar sendo o país do assistencialismo ou se quer voltar a ser a nação do trabalho.

 

Ronaldo Aleixo – Jornalista DRT 96423/SP

Ronaldo Aleixo é jornalista (DRT 96423/SP), filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e ao Sindicato dos Jornalistas de Roraima (SINJOPER). Tecnólogo em Marketing pela Uninter-AM, possui pós-graduações em Jornalismo Digital, Jornalismo Investigativo, Docência do Ensino Superior e Gestão de Mídias Sociais. É especialista em Direito Digital pela PUC-RS e possui MBA em Ciência Política: Relações Institucionais e Governamentais pela Uninter-PR.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui