O cenário político amazonense em 2026 desenha-se como um dos mais instáveis da história recente. Com o vice-governador Tadeu de Souza prestes a assumir o comando do Estado e o prefeito David Almeida sob cerco de sete frentes criminais, o poder em Manaus e no Amazonas virou uma “batata quente”. Se as chapas forem cassadas ou os candidatos se tornarem inelegíveis, a linha de sucessão aponta para um único lugar: a Assembleia Legislativa (ALEAM).
Tadeu de Souza e o “Efeito Dominó” da chapa indivisível
No sistema eleitoral brasileiro, a chapa é um corpo único. Isso significa que Tadeu de Souza, embora visto como um perfil técnico, está indissociável da sorte jurídica de Wilson Lima.
A queda conjunta: Se o TSE reformar a decisão do TRE-AM e cassar a chapa de 2022 por abuso de poder (como nos programas Asfalta Manaus), Tadeu perde o cargo imediatamente, mesmo que já esteja exercendo a função de governador efetivo.
O Protagonismo de Roberto Cidade: Como atual presidente da ALEAM, Roberto Cidade é o sucessor imediato. Se a vacância ocorrer em 2026, ele assume o governo e ganha a vitrine necessária para se consolidar como força dominante.
O Futuro Presidente da Casa: No final de 2026, os deputados elegerão o comando para o biênio 2027-2028. Caso Tadeu vença a eleição, mas seja cassado no início do novo mandato, será este novo presidente quem herdará o Estado.
David Almeida: O Prefeito eleito sob o cerco das sete frentes criminais
Se as urnas confirmarem David Almeida em 2026, a vitória pode ser apenas o início de uma batalha pela sobrevivência. O prefeito enfrentará o “fantasma da cassação” em seu gabinete devido a investigações gravíssimas autorizadas pelo TJAM em novembro de 2025:
Favorecimento e Viagens: O “Esquema da Sogra” (pagamentos mensais de R$ 20 mil a Lidiane Fontenelle) e o nebuloso voo de luxo para Aruba são os pilares das acusações de corrupção passiva e peculato.
Risco de Ficha Limpa: A reprovação de suas contas de 2017 pela ALEAM pode gerar uma impugnação de sua candidatura antes mesmo do pleito, forçando a escolha de um substituto de última hora.
A Herança de Renato Júnior: Como vice, Renato Júnior compartilha o risco. Se a campanha de 2026 for anulada por abuso de poder, o vice cai junto, transferindo o poder para David Reis, Presidente da Câmara Municipal (CMM).
O Calendário do Risco: datas críticas para Tadeu e Almeida em 2026
O cronômetro judicial dita o ritmo da política. Confira os prazos que podem mudar o comando do Amazonas e de Manaus:
| Data Limite | Evento Político/Judicial | Impacto Real |
| 04 de Abril | Desincompatibilização | Wilson Lima renuncia. Tadeu de Souza assume como Governador. |
| 06 de Maio | Fechamento do Cadastro | Limite para decisões que podem barrar candidaturas por “Ficha Suja”. |
| 15 de Agosto | Registro de Candidatura | Opositores usarão as 7 frentes criminais para tentar barrar Almeida. |
| 04 de Outubro | 1º Turno das Eleições | A resposta das urnas, que não anula processos criminais em curso. |
| 01 de Janeiro de 2027 | Posse dos Eleitos | Se a cassação da chapa de 2022 sair após esta data, o Estado entra em crise. |
O “Seguro” da ALEAM e da CMM
Enquanto Tadeu e David focam em manter seus registros de pé, os legisladores jogam um jogo de espera. No Amazonas, a distância entre a presidência da Assembleia (ou da Câmara Municipal) e o Poder Executivo é de apenas uma “canetada” dos tribunais superiores.
Em 2026, o verdadeiro poder pode não estar em quem ganha a eleição, mas em quem está na linha de sucessão quando o martelo do juiz bater.





