Manaus (AM) – A educação em Manaus vive um cenário de dualidade que tem chamado a atenção de gestores públicos e especialistas em indicadores nacionais. Se por um lado a cidade celebra um avanço histórico no desempenho escolar de seus alunos, por outro, enfrenta o desafio de traduzir esses números em melhorias amplas no desenvolvimento social e na infraestrutura urbana.
A Elite da Educação Básica (IDEB)
No último levantamento do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), Manaus surpreendeu positivamente ao se consolidar como a 5ª melhor capital do Brasil nos Anos Iniciais (1º ao 5º ano) da rede municipal. Com a nota 6,2, a cidade não apenas superou a meta nacional, mas também garantiu a liderança absoluta na Região Norte.
Este resultado é reflexo de políticas focadas na alfabetização na idade certa e na recuperação de fluxo escolar. Nos Anos Finais (6º ao 9º ano), a evolução também foi notável, alcançando a nota 5,2. O desempenho coloca a capital amazonense à frente de metrópoles com orçamentos maiores e maior tradição em infraestrutura educacional, como Rio de Janeiro e Porto Alegre.
O Gargalo do Desenvolvimento Geral
Contudo, o brilho das notas escolares contrasta com rankings que avaliam o bem-estar social de forma integral. No recente Índice de Progresso Social (IPS Brasil) e no Índice Firjan, Manaus aparece em posições menos confortáveis, ocupando a 21ª colocação entre as 27 capitais.
Esses índices levam em conta fatores que vão além da sala de aula, como saneamento básico, segurança, sustentabilidade ambiental e a taxa de abandono no Ensino Médio — etapa onde a responsabilidade é compartilhada com o Estado e que ainda sofre com a distorção idade-série. Especialistas apontam que, embora o ensino municipal esteja sendo eficiente em ensinar, a “cidade fora da escola” ainda carece de investimentos estruturais que garantam que esse jovem aluno tenha qualidade de vida plena ao crescer.
Censo Escolar e o Futuro
Com a recente publicação preliminar dos dados do Censo Escolar 2024/2025 pelo Inep, as secretarias de educação agora entram na fase de retificação e validação das matrículas. Este processo é vital: é por meio destes números que o Governo Federal define o repasse de recursos do Fundeb.
Para os próximos anos, o desafio da capital é duplo: manter-se no topo do ranking de aprendizado (IDEB) e, simultaneamente, elevar sua pontuação nos rankings de desenvolvimento geral. A meta é garantir que o aluno que hoje tira nota alta na escola municipal tenha, no futuro, uma cidade com infraestrutura à altura de seu conhecimento.
O Ranking das Capitais (IDEB – Anos Iniciais)
Goiânia (GO): 6,5
Teresina (PI): 6,3
Curitiba (PR): 6,3
Palmas (TO): 6,3
Manaus (AM): 6,2
(Fonte: Inep/MEC)
Ranking de Desenvolvimento Social (IPS Brasil 2024/2025)
Este índice é mais amplo e avalia o acesso ao conhecimento, infraestrutura e bem-estar. Neste cenário, Manaus aparece numa posição inferior devido a desafios estruturais (saneamento, abandono escolar no ensino médio, etc.).
As 10 Melhores Capitais (IPS Geral):
Curitiba (PR)
Florianópolis (SC)
Belo Horizonte (MG)
Goiânia (GO)
Brasília (DF)
São Paulo (SP)
Vitória (ES)
Palmas (TO)
Porto Alegre (RS)
Rio de Janeiro (RJ)
As 10 Piores Capitais (IPS Geral):
Porto Velho (RO) (A pior colocada)
Macapá (AP)
Maceió (AL)
Rio Branco (AC)
Belém (PA)
Salvador (BA)
Manaus (AM) (21.ª posição entre 27 capitais)
São Luís (MA)
Natal (RN)
Recife (PE)





