As obras e o legado de Omar Aziz: Um balanço de 2010 a 2024

Quem é o culpado pelo 'elefante branco' de Iranduba? O rastro de responsabilidades entre Omar Aziz (4 anos), José Melo (3 anos), David Almeida (5 meses), Amazonino Mendes (1 ano), Wilson Lima e Tadeu de Souza (7 anos de gestão). Tire sua conclusão. leia".

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MANAUS – Poucos momentos na história política do Amazonas registram uma convergência popular tão expressiva quanto o pleito de 2010. Ao receber o bastão de Eduardo Braga, Omar Aziz não apenas deu continuidade a um projeto de governo, mas imprimiu uma marca própria, chancelada por 63,87% dos votos válidos. A expressiva marca de quase um milhão de eleitores foi o combustível para um quadriênio de transformações estruturais que, até hoje, em 2026, sustentam a logística e o serviço público amazonense.

A quebra do isolamento: A Ponte Rio Negro

O símbolo máximo da gestão Aziz foi, sem dúvida, a inauguração da Ponte Rio Negro em 2011. Com 3,6 quilômetros de extensão, a obra não foi apenas um marco da engenharia estaiada no Brasil, mas o rompimento definitivo do isolamento terrestre entre Manaus e os municípios de Iranduba, Manacapuru e Novo Airão. A ponte abriu as portas para o desenvolvimento da Região Metropolitana, transformando o perfil econômico da margem direita do rio.

Segurança e Saúde: O modelo de proximidade

No campo social, o programa Ronda no Bairro reestruturou a segurança pública. Ao dividir a capital em setores e dotar as viaturas de tecnologia de geolocalização, Aziz buscou reduzir o tempo de resposta e aproximar a polícia da comunidade — um modelo que foi levado estrategicamente para os grandes polos do interior.

Na saúde, o governo focou na alta complexidade e na descentralização. A concepção e o avanço de unidades como o Hospital Delphina Aziz, na zona Norte de Manaus, e a construção de Centros de Educação de Tempo Integral (CETIs) pelo interior, mostraram uma gestão preocupada em fixar o cidadão em sua calha de rio, oferecendo serviços que antes só existiam na capital.

De Governador a Senador: A voz no Distrito Federal

A trajetória de Aziz no Executivo encerrou-se em 4 de abril de 2014, quando renunciou para pleitear uma cadeira no Senado Federal. A transição foi estratégica: o prestígio acumulado como governador transformou-o em um dos parlamentares mais influentes do país.

Ao longo da última década, sua atuação em Brasília tem sido o escudo da Zona Franca de Manaus, garantindo a manutenção dos incentivos fiscais que sustentam a economia do estado. Hoje, ao olharmos para o desenvolvimento do Amazonas até 2024 e além, é evidente que as sementes plantadas naquela votação recorde de 2010 continuam gerando frutos para a região.

Entre crises políticas e trocas de comando, o projeto audacioso de Omar Aziz se perdeu em meio a mandatos tampões e falta de prioridade logística.

Quando Omar Aziz deixou o Governo do Amazonas em abril de 2014 para concorrer ao Senado, o estado entrava em um turbilhão político sem precedentes. O que se seguiu foi uma “dança das cadeiras” no Palácio da Compensa que explica, em grande parte, por que projetos estruturantes como a Cidade Universitária da UEA, em Iranduba, permanecem como esqueletos de concreto ou subutilizados até hoje.

A Sucessão e a Fragmentação Política

Após Aziz, o comando do estado passou por mãos diversas em curto espaço de tempo: José Melo, David Almeida (em mandato tampão), Amazonino Mendes e Wilson Lima.

David Almeida, que assumiu interinamente em 2017 após a cassação de José Melo, teve um governo de poucos meses focado em “apagar incêndios” fiscais e recuperar a malha viária. Embora tenha imprimido um ritmo acelerado em obras de recapeamento e saúde, o tempo exíguo de seu mandato não permitia retomar um projeto da magnitude da Cidade Universitária, que exigiria bilhões em investimentos e um planejamento plurianual que a instabilidade política da época não permitia.

Por que a obra não foi concluída?

Especialistas e gestores apontam três fatores cruciais para o travamento:

Crise Fiscal e Orçamentária: A partir de 2015, o Brasil e o Amazonas enfrentaram uma severa crise econômica. O custeio de uma “cidade” inteira em Iranduba (energia, água, internet e transporte para milhares de alunos) tornou-se proibitivo frente à queda na arrecadação.

O “Nó” da Logística: A Ponte Rio Negro integrou o território, mas não criou um sistema de transporte público de massa. Levar estudantes de Manaus para Iranduba diariamente provou-se um desafio logístico e financeiro que nenhum governador pós-Omar quis bancar integralmente.

Descontinuidade Administrativa: Este é o ponto central. Cada governador que assumiu após 2014 chegou com suas próprias prioridades. Projetos associados à marca de um antecessor costumam perder fôlego em novas gestões, especialmente em períodos de “mandatos tampões” onde o foco é a sobrevivência política imediata.

Quem é o culpado?

Na análise técnica e política, é difícil apontar um único indivíduo como “culpado”, mas sim um sistema de instabilidade.

A Justiça Eleitoral: As sucessivas cassações e eleições suplementares criaram um vácuo de planejamento. Projetos de longo prazo não sobrevivem a governos que duram menos de um ano.

A Falta de consenso sobre o modelo: Houve uma falha coletiva em decidir se a UEA deveria ser centralizada em um único campus gigante ou se o modelo de núcleos espalhados pela capital (o atual) era mais eficiente.

Enquanto as disputas políticas monopolizavam as manchetes, o abandono tomava conta das estruturas em Iranduba. Hoje, em 2026, a Cidade Universitária permanece como um símbolo de que, sem estabilidade institucional, projetos audaciosos de engenharia podem degenerar em pesadelos orçamentários.

GovernadorPeríodo de MandatoContexto da Obra
Omar Aziz2010 – 2014Idealizador. Lançou o projeto e iniciou as fundações e as primeiras estruturas.
José Melo2014 – 2017Continuidade e Crise. O ritmo caiu devido à crise fiscal de 2015 e sua posterior cassação.
David AlmeidaMaio/2017 – Out/2017Mandato Tampão (5 meses). Como interino, focou em urgências e não teve tempo hábil para retomar o projeto.
Amazonino MendesOut/2017 – Dez/2018Governo Suplementar. Priorizou a saúde e segurança; a Cidade Universitária não foi prioridade de investimento.
Wilson Lima2019 – 2026 (Atual)7 anos de gestão. Reeleito, focou na pandemia (2020-2022) e em infraestrutura viária (Anéis Viários).
Tadeu de Souza2023 – AtualVice-Governador. Atua na gestão técnica ao lado de Wilson Lima, não é o titular do cargo ainda, a que tudo indica será em breve.

 

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