A ativista em defesa das mulheres, da infância e dos direitos humanos, Marília Freire, se filiou ao Partido Comunista do Brasil nesta terça-feira (31), durante a solenidade de aniversário de 104 anos do partido, realizada na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, em Manaus, reunindo lideranças políticas e representantes de movimentos sociais.
Pré-candidata à Câmara Federal, Marília afirmou que a filiação representa um compromisso com a construção coletiva. A aposta não é apenas disputar uma vaga, mas tensionar o próprio sentido da representação política no estado, ampliando vozes e enfrentando desigualdades históricas. Segundo ela, a política também precisa ser ocupada por mulheres negras, mães, trabalhadoras e lideranças que emergem das bases.
“Essa decisão nasce de uma construção coletiva e de uma trajetória que vem das bases. Não é só sobre disputar uma vaga, é sobre garantir que mais mulheres, especialmente mulheres negras, mães e trabalhadoras, estejam nos espaços de decisão e possam transformar a política a partir da sua realidade”, afirma.
Nascida em Manaus, Marília construiu sua trajetória articulando conhecimento técnico, compromisso social e atuação em defesa dos direitos humanos, com destaque para as pautas das mulheres e da população LGBTI+. Psicóloga, bacharel em Direito e especialista em Direito Penal e Processual Penal, reúne uma formação interdisciplinar voltada à justiça social. Atualmente, é doutoranda em Psicologia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), onde pesquisa a realidade de meninas-mães no estado.
Ela também integra pesquisas da Fundação Oswaldo Cruz, contribuindo para o debate público e a formulação de políticas públicas. Nos espaços de organização social, exerce papel de liderança, é presidenta do Coletivo Feminista Humaniza e do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher do Amazonas (Cedim), além de coordenar o Fórum Permanente de Mulheres do Amazonas e o Fórum Permanente de Movimentos Sociais LGBTI+.
Com mais de 20 anos de atuação em movimentos sociais, sua pré-candidatura se insere em um contexto de enfrentamento às desigualdades na ocupação do poder. Em 2022, Marília disputou uma vaga ao Senado pelo Amazonas e somou 28.557 votos, com presença em 61 dos 62 municípios do Amazonas, um desempenho que evidencia inserção territorial e diálogo direto com diferentes realidades do estado.
Para o presidente estadual do partido, o historiador Yann Evanovick, a chegada de Marília fortalece o projeto político da legenda no estado.
“A candidatura da Marília nos dá esperança. Esperança de voltar a ver uma mulher ocupando uma cadeira de deputada federal na Câmara. O PCdoB, nos seus quase 50 anos de atuação no Amazonas, teve grande parte da sua representação estadual, municipal e federal construída a partir de mulheres. Fomos o primeiro partido de esquerda a eleger uma mulher para a Assembleia Legislativa, para a Câmara Municipal de Manaus e somos o único partido de esquerda que elegeu uma senadora da República.
A Marília chega para representar essa retomada do lugar das mulheres na Câmara Federal. Esse é o partido das mulheres, dos trabalhadores, da juventude. E a Marília traz esperança não só para a esquerda amazonense, mas para o povo deste estado, que precisa de gente comprometida e engajada com as causas populares”, explica.



