No Amazonas, a política de gestão parece ter descoberto a fórmula da felicidade plena: o autoelogio institucional. Em uma cerimônia regada a fotos oficiais e sorrisos ensaiados, o governador Wilson Lima e sua equipe distribuíram “Selos de Qualidade” para… eles mesmos. É a versão estatal do meme do Homem-Aranha apontando para o espelho e dizendo: “Cara, você é demais!”.
A Festa da Ilha da Fantasia
Enquanto o cidadão comum briga com o relógio em filas de prontos-socorros ou espera que o asfalto chegue antes da próxima chuva, nos salões do governo a realidade é outra. Mais de 80 órgãos foram premiados pela Controladoria-Geral do Estado (CGE). Ou seja: o órgão do governo avalia o órgão do governo e dá um prêmio do governo para o… governo.
O critério? Transparência e eficiência.
Entre o Papel e a Realidade
Não se nega que a tecnologia avançou e que os portais de transparência estão mais bonitinhos. O problema é a distância entre o dado no computador e a vida na ponta.
Ter “Selo Diamante” na transparência é fácil quando você controla o que publica.
Difícil é o cidadão sentir esse “diamante” brilhando quando tenta saber, na prática, por que aquela obra do interior está paralisada ou para onde foi o centavo do imposto que ele pagou no rancho do mês.
O “Efeito Narciso”
A linha entre a avaliação técnica e a autopropaganda não é apenas tênue; no Amazonas, ela virou uma passarela. O vice-governador fala em “legado de valorização”. A gente entende como “tapinha nas costas com dinheiro público”.
É claro que rankings nacionais (como o da Atricon) dão um lastro de verdade à coisa, mas o excesso de pompoosidade para celebrar o que deveria ser a obrigação básica (ser honesto e transparente) soa como se o motorista pedisse um troféu por não ter avançado o sinal vermelho.
🖋️ Moral da História:
Menos selos, menos placas e mais serviço. A melhor “ouvidoria” que existe não é um sistema moderno de tickets, é o povo satisfeito na rua. E esse prêmio, governador, não se ganha em solenidade fechada; se ganha no voto e no respeito de quem não vive de assessoria de imprensa.















