Por Ronaldo Aleixo, 4 de fevereiro de 2026: O que parecia ser apenas mais um entrave jurídico na conturbada vida patrimonial de Ronaldinho Gaúcho revelou-se a ponta de um iceberg que atinge o coração do funcionalismo público amazonense. Nesta quarta-feira (4), novos detalhes sobre a liquidação do Banco Master confirmam que terrenos do ex-jogador em Porto Alegre foram usados para “fabricar” ativos financeiros de R$ 330 milhões, atraindo investidores como o Amazonprev.
O Ídolo e o “Projeto Fantasma”
Segundo investigações do Ministério Público Federal e reportagens de O Globo, o Banco Master utilizou dois imóveis de Ronaldinho como lastro para a emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). A promessa era de que grandes empreendimentos seriam erguidos nos locais.
No entanto, a defesa de Ronaldinho sustenta que ele nunca autorizou o uso de suas propriedades como garantia. As negociações com incorporadoras teriam sido abandonadas há anos devido a dívidas de IPTU e problemas ambientais. “O craque nunca viu a cor desse dinheiro”, afirmam os advogados, colocando Ronaldinho na posição de vítima de uso indevido de imagem para inflar o balanço de um banco que hoje acumula perdas de R$ 50 bilhões.
A Conexão Amazonas: O Risco no Amazonprev
Enquanto Ronaldinho tenta desvincular seu nome da fraude, o servidor público do Amazonas conta os prejuízos. O Amazonprev é alvo de investigações do Ministério Público do Amazonas (MP-AM) e do Tribunal de Contas (TCE-AM) por aportes milionários feitos na instituição de Daniel Vorcaro antes da quebra.
O fundo previdenciário aplicou pelo menos R$ 50 milhões em Letras Financeiras (LFs) do Master.
O agravante: Diferente da poupança, as LFs não possuem garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Na prática, o Amazonprev é um dos últimos na fila para receber qualquer valor da massa falida do banco.
A “Caixa Preta”: Outros R$ 250 milhões em investimentos indiretos via fundos de terceiros estão sob auditoria. O TCE-AM aponta que as decisões de investimento foram tomadas sem o aval do Conselho de Administração, em um cenário de grave falha de governança.
O que esperar?
Para Ronaldinho, o caso pode significar novos bloqueios de bens e depoimentos à Polícia Federal. Para os amazonenses, a fatura pode chegar por meio do Tesouro Estadual: conforme entendimento do Governo Federal, se o Amazonprev não recuperar os valores, o Governo do Amazonas será obrigado a cobrir o rombo com dinheiro dos impostos para garantir que nenhuma aposentadoria seja atrasada.
O escândalo do Banco Master agora une dois Brasis: o do glamour dos campos de futebol e o da dura realidade fiscal das previdências estaduais, ambos vítimas de um esquema que trocou tijolos reais por promessas de papel.





