Justiça do Amazonas reconhece golpe do falso advogado e condena banco a indenizar vítima em R$ 3 mil

Decisão aponta responsabilidade das instituições financeiras em fraudes via Pix

Foto: Bruno Leão/ Tukandeira Comunicação

Uma vítima de golpe aplicado por um falso advogado deverá ser indenizada após decisão da Justiça do Amazonas. O caso, que envolveu uma transferência via Pix após contato de um criminoso, resultou na responsabilização de uma instituição financeira pelos prejuízos sofridos.

De acordo com o processo, a vítima foi enganada após ser contatada por um criminoso que se passou por advogado e informou sobre a suposta liberação de valores judiciais. Para viabilizar o recebimento, foi solicitado um pagamento antecipado via Pix, prática comum nesse tipo de fraude.

Após perceber o golpe, a vítima buscou auxílio junto à instituição financeira e acionou os mecanismos disponíveis, mas não conseguiu reaver o valor transferido, o que levou o caso ao Judiciário.

Na decisão, a Justiça do Amazonas destacou que as instituições financeiras possuem responsabilidade objetiva em situações que envolvem fraudes no ambiente bancário, conforme previsto no Código de Defesa do Consumidor. O entendimento segue jurisprudência consolidada de que esse tipo de ocorrência integra o risco da atividade financeira.

“A falha na segurança de serviços, especialmente no contexto de operações como o Pix, exige mecanismos robustos de prevenção a fraudes”, aponta trecho da sentença.

A decisão determinou a restituição de R$ 2.632,50, valor transferido pela vítima durante a fraude, além do pagamento de R$ 3 mil por danos morais. O entendimento considerou que o prejuízo ultrapassa o mero aborrecimento, sobretudo diante da vulnerabilidade do consumidor e da quebra de confiança no sistema bancário.

A decisão já transitou em julgado, não cabendo mais recurso.

 

Alerta para golpes

O caso, acompanhado pelo escritório de advocacia Bezerra & Dantas, chama atenção para um tipo de crime que tem se tornado cada vez mais frequente no país: o golpe do falso advogado. Nessa modalidade, criminosos utilizam dados pessoais das vítimas e linguagem jurídica para simular processos e induzir pagamentos indevidos, sob a promessa de liberação de valores na Justiça.

“A orientação é que a população desconfie de qualquer cobrança antecipada para liberação de valores judiciais. Em geral, esse tipo de solicitação é um dos principais indícios de fraude”, alerta o advogado Philippe Dantas, especialista em Direito Bancário e Direito do Consumidor pelo escritório Bezerra & Dantas.

Segundo o advogado, em situações suspeitas, a recomendação é buscar confirmação por canais oficiais, registrar boletim de ocorrência e acionar imediatamente o banco por meio do Mecanismo Especial de Devolução (MED), que pode auxiliar na tentativa de recuperação dos valores.

 

 

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui