Para falar da vinda do Menino ao mundo dos homens, digo, em quase poesia, repetindo o sentimento:
NOITE DE NATAL
Que Natal comemorar?
O da troca de presentes
entre amigos e parentes
diante de mesa farta,
com frutas da estação,
algumas até importadas
desde logo descartadas,
com vinho, cerveja e champanhe,
inda nem sempre acompanhe
uma festa no coração?
Para a criança o brinquedo
mais caro que houver,
que nem sirva pra brincar,
seja mesmo pra guardar,
mas que vale ostentação,
em disputa nem bem velada
com quem jamais vai ganhar.
Ou o Natal da sinaleira,
do menino sem eira nem beira
na rua do desencanto,
que aprende na esmola
que nem precisa ir pra escola,
se o que lhe resta é pranto,
se a vida basta pra ensinar
que nem é possível sonhar?
E muitos passando ao largo,
como a desconhecer
que ali não há presente,
que a vida quase ausente
só lhes concede não morrer.
É tanta a indiferença
que nem se permitem ver
em cada olhar às vezes puro
um pedido, quase crença
de sonhar com o futuro.
Ou o Natal do idoso
que, esquecido e sozinho,
em casa, asilo, hospital,
entrega-se às próprias lembranças,
mesmo que lhe façam mal,
do tempo que também foi Noel,
de quando abraços trocou
até presentes recebeu,
mas vê que tudo passou
agora nem mesmo o papel
de presente lhe restou?
Se há visita, nem demora,
porque tem de ir embora
para a vida lá de fora,
sem sequer interessar
se a saudade vai ficar
machucando o coração
se o que de fato vai sobrar
é só o natal do não.
Felizmente ainda há,
dentre os muitos que festejam,
os que lembram da razão
do que devem comemorar
e homenageiam o Menino
da manjedoura pequenino
que veio para ficar.
Fazem festa de bonança
porque constroem a esperança
em Natal de amor e luz
bendizendo e festejando Jesus.





